Ă raro que os poetas da nossa adolescĂȘncia sejam os da nossa maturidade.
Passagens sobre AdolescĂȘncia
29 resultadosSĂł Dependes de Ti para Ser Feliz
SĂł dependes de ti para ser feliz.
A felicidade encontra-se dentro de ti. Este Ă© o teu princĂpio. O fim serĂĄ aquele que tu quiseres.
Aprendi isto enquanto escrevia o meu primeiro livro, âCarta Brancaâ. Um relato muito pessoal acerca da minha primeira grande viagem interior em busca dessa especĂfica descoberta. Iniciei-o numa fase muito conturbada da minha vida, em que a relação comigo era praticamente inexistente e quando existia nĂŁo passava de agressĂ”es a mim mesmo, baseadas, naturalmente, em muito daquilo que ouvira, aprendera e modelara na minha infĂąncia e adolescĂȘncia. Como costumo dizer, tinha muita dificuldade em estar ao meu lado. NĂŁo me conhecia, apenas sabia o que representava para os outros. NĂŁo sabia o que queria, apenas sabia o que os outros queriam de mim. E nĂŁo sabia para onde queria ir, apenas para onde todos queriam que eu fosse. Naturalmente que esta ausĂȘncia total de conhecimento nĂŁo podia germinar coisa boa. E assim era. Eu era revolta, angĂșstia, insegurança, permissividade e medo. E lembro-me, lembro-me perfeitamente, quando disse a mim mesmo que se a minha vida nĂŁo passasse disto nĂŁo valeria a pena estar vivo. Recordo-me da dor que vivia comigo. Mas recordo-me tambĂ©m que foi ela que me incentivou a escrever.
Algumas ProposiçÔes com Crianças
A criança estå completamente imersa na infùncia
a criança não sabe que hå-de fazer da infùncia
a criança coincide com a infùncia
a criança deixa-se invadir pela infùncia como pelo sono
deixa cair a cabeça e voga na infùncia
a criança mergulha na infùncia como no mar
a infùncia é o elemento da criança como a ågua
Ă© o elemento prĂłprio do peixe
a criança não sabe que pertence à terra
a sabedoria da criança é não saber que morre
a criança morre na adolescĂȘncia
Se foste criança diz-me a cor do teu paĂs
Eu te digo que o meu era da cor do bibe
e tinha o tamanho de um pau de giz
Naquele tempo tudo acontecia pela primeira vez
Ainda hoje trago os cheiros no nariz
Senhor que a minha vida seja permitir a infĂąncia
embora nunca mais eu saiba como ela se diz
Projecto de Bodas
Hoje apetece que uma rosa seja
o coração exterior do dia
e a tua adolescĂȘncia de cereja
no meu bico de Isolda cotovia.Hoje apetece a intuição dum cais
para a lucidez de nĂŁo chegar a tempo
e ficarmos violetas nupciais
com a lua a celebrar o casamento.Apetece uma casa cor-de-rosa
com um galo vermelho no telhado
e os degraus duma seda vagarosa
que nunca chegue Ă varanda do noivado.Hoje apetece que o cigarro saiba
a ter fumado uma cidade toda.
Ser o anel onde o teu dedo caiba
e faltarmos os dois Ă nossa boda.Hoje apetece um interior de esponja
E como estĂĄtua a que moldar o vento.
Deitar as sortes e, se sair monja,
Navegar ao acaso o meu convento.Hoje apetece o mundo pelo modo
Como vai despenhar-se um trapezista.
Abrir mais uma flor no nosso lodo:
Pedir-lhe um salto e retirar-lhe a pista.Hoje apetece que a cor dum automĂłvel
Seja o Egipto de novo em movimento;
E que no espaço duma gota imóvel
Caiba a possĂvel capital do vento.
A adolescĂȘncia Ă© um tribunal inesperado:
o julgamento do pai pelo filho,
o julgamento do filho pelo pai.
A adolescĂȘncia foi a Ășnica Ă©poca em que aprendi alguma coisa.
Apaixonaram-se como as pessoas se apaixonam na adolescĂȘncia, avassaladoramente e tambĂ©m por acaso.
Preocupar-se em ser adulto ou nĂŁo, admirar o adulto por ser adulto, corar de vergonha diante da insinuação de que se Ă© infantil: esses sĂŁo sinais caracterĂsticos da infĂąncia e da adolescĂȘncia.
A Grande Vantagem da Vida
– A grande vantagem da vida Ă© ensinar-nos outra vez a chorar. A vida infantiliza. Fica-se maior no que nos faz ser mais pequenos. Cresce-se fora o que se vai perdendo por dentro. Passamos a infĂąncia a querer crescer, a adolescĂȘncia a querer crescer. E depois percebemos que sĂł quer crescer quem ainda se sente pequeno. Um adulto sente-se pequeno mas pensa ao contrĂĄrio. Sente-se pequeno e quer ficar mais pequeno. Voltar ao tempo em que havia sonhos.
â Onde se perdem os sonhos?
â Todos os sonhos se perdem. Mesmo aqueles que vais ganhar, e vais ganhar muitos, se vĂŁo perder. Porque jĂĄ deixaram de ser sonhos. Sonhaste aquilo, tiveste aquilo. E acabou. LĂĄ se foi o sonho. O segredo Ă© conseguir gerar novos sonhos. Sonhos que consigam ocupar o espaço em branco deixado pelo sonho perdido.
â Mesmo que tenha sido ganho.
â Mesmo que tenha sido ganho.
â Queria ser como tu.
â E eu queria ser como tu. Queria olhar para a frente e ver que o caminho nĂŁo acaba, o caminho a perder de vista.
â O teu nĂŁo se perde de vista?
â O meu faz-me perder a vista.