O avarento empenha-se em viver pobre para morrer rico.
Passagens sobre Avarento
58 resultadosNunca nos Assemelhamos a nós Próprios
O homem não é conhecível a si próprio, porque a sua vida consiste em esforços alternados para ser o que não é, e essa transposição e substituição contínuas de almas irreais e estranhas fazem com que aquilo que na verdade e, ao contrário de Deus, pareça o que nunca é. Mesmo no mais pobre de nós existem pelo menos sete homens.
Há aquele que parece aos outros e o julgado, justamente, sabe quase sempre que não é.
Há aquele que diz ser e ele próprio sabe não ser, porque a vaidade ou medo tornam sempre mentiroso.
Há aquele que julga ser e é o mais distante da verdade, que cada um se inclina para se julgar aquilo que não é, por uma retorsão do orgulho que afasta tudo o pior, que é a maioria.
Há aquele que quereria ser, o mito pessoal de todo o homem, o sonho reservado ao futuro, aquele que depois deforma todas as autobiografias.
Aquele que finge ser para comodidade e necessidade da vida comum, onde o insensível deve mostrar-se caloroso, o avarento liberal e o vil corajoso.
Há aquele que se poderia chamar o nosso duplo desconhecido: a personalidade subconsciente,
O pródigo pode ser lastimado, mas o avarento é quase sempre aborrecido.
Não acharás um avarento que não viva num tormento.
O avarento perfeito economiza a idéia de dinheiro evitando falar nele.
Um milionário é sempre um derrotado: se gasta com liberalidade, criticam-no por ser extravagante e amante da ostentação; se leva vida quieta e econônica, chamam-no de avarento e sovina.
O pobre lastima-se de querer e não poder, o avarento ufana-se de que pode, mas não quer.
O avarento, por um mau cálculo, sofre de presente os males que receia no futuro.
O Avarento
No meio de seus cofres, desvelado,
Co’as tampas levantadas, rasas de ouro,
Cevando a vista está no metal louro
Dele o cioso Avarento namorado.Temendo que lhe venha a ser roubado,
Emprega alma e vida em seu tesouro,
Girando com os olhos, qual besouro,
Zumbindo sem cessar, afervorado.Fechado nele está, com sete portas,
Com temor de algum fero arrombamento
De astutas invenções, de ideias tortas.Não emprega em mais nada o pensamento.
Cega ambição de vãs riquezas mortas!
Quão infeliz não és, louco avarento!
Ao avarento falta tanto o que tem como o que não tem.
Ao pobre, faltam muitas coisas; ao avarento, tudo.
O avarento gasta mais no dia de sua morte do que em dez anos de vida, e seu herdeiro gasta mais em dez meses do que ele em sua vida inteira.
A morte de um avarento equivale à descoberta de um tesouro.
Na arca do avarento, o diabo jaz dentro.
Os avarentos não crêem numa vida por vir, para eles o presente é tudo.
A avareza embacia toda a glória; diz-se que tem havido ilustres celerados, mas ninguém disse ainda que houvesse ilustres avarentos.
Mau é o rico avarento mas, pior é, o pobre soberbo.
O avarento por um real perde cento.
Avarento
Puxando um avarento de um pataco
Para pagar a tampa de um buraco
Que tinha já nas abas do casaco,
Levanta os olhos, vê o céu opaco,
Revira-os fulo e dá com um macaco
Defronte, numa loja de tabaco…
Que lhe fazia muito mal ao caco!
Diz ele então
Na força da paixão:
— Há casaco melhor que aquela pele?
Trocava o meu casaco por aquele…
E até a mim… por ele.Tinha razão,
Quanto a mim.
Quem não tem coração,
Quem não tem alma de satisfazer
As niquices da civilização,
Homem não deve ser;
Seja saguim,
Que escusa tanga, escusa langotim:
Vá para os matos,
Já não sofre tratos
A calçar botas, a comprar sapatos;
Viva nas tocas como os nossos ratos,
E coma cocos, que são mais baratos!
O sábio que não fala nem escreve é pior que o avarento que não despende.