Chuva De Fogo
Meus olhos vĂŁo seguindo incendiados
a chama da leveza nesta dança,
que mostra velho sonho acalentado
de ver a bailarina que me alcançaos sentidos em febre, inebriados,
cativos do delĂrio e dessa trança.
É sonho, eu sei. E chega enevoado
na mantilha macia da lembrança:o palco antigo, as luzes da ribalta,
renascença da graça do seu corpo,
balé de sedução, mar que me faltapara o mergulho calmo de um amante,
que se sabe maduro de esperar
essa viva paixĂŁo e seu levante.
Passagens sobre Bailarinas
10 resultadosTatuagem
Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que Ă© pra te dar coragem
pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que vocĂŞ pega, esfrega, nega
Mas nĂŁo lavaEu quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo te alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teo braço
Repousa frouxa, murcha, farta
Morta de cansaçoEu quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem
Eu quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, ferro e fogo
Em carne vivaCorações de mãe
Arpões, sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo mas nĂŁo sentes
O Ă‚mago da Virtude
Haverá filĂłsofos que pretendem induzir-nos a dar grande valor Ă prudĂŞncia, a praticarmos a virtude da coragem, a nos aplicarmos Ă justiça — se for possĂvel — com maior empenho ainda do que Ă s restantes virtudes. Pois bem: de nada servirĂŁo estes conselhos se nĂłs ignorarmos o que Ă© a virtude, se ela Ă© una ou mĂşltipla, se as virtudes sĂŁo individualizadas ou interdependentes, se quem possui uma virtude possui tambĂ©m as restantes ou nĂŁo, qual a diferença que existe entre elas. Um operário nĂŁo precisa de investigar qual a origem ou a utilidade do seu trabalho, tal como o bailarino o nĂŁo tem que fazer quanto Ă arte da dança: os conhecimentos relativos a todas estas artes estĂŁo circunscritos a elas mesmas, porquanto elas nĂŁo tĂŞm incidĂŞncia sobre a totalidade da vida. A virtude, porĂ©m, implica tanto o conhecimento dela prĂłpria como o de tudo o mais; para aprendermos a virtude temos de começar por aprender o que ela Ă©. Uma acção nĂŁo pode ser correcta se nĂŁo for correcta a vontade, pois Ă© desta que provĂ©m a acção. TambĂ©m a vontade nunca será correcta se nĂŁo for correcto o carácter, porquanto Ă© deste que provĂ©m a vontade. Finalmente,
O bailarino sonha em abolir a lei da gravidade.
Madrigal Excentrico
Tu que nĂŁo temes a Morte,
Nem a sombra dos cyprestes,
Escuta, Lyrio do Norte,
Os meus canticos agrestes:……………………………………
……………………………………
……………………………………
……………………………………Tu ignoras os desgostos
D’um coração torturado,
Mais tristes do que os soes postos,
Ou de que um bobo espancado!Eu bem sei, Ăł Musa louca
Que não conheces a magoa…
E tens um riso na boca
Como um cravo aberto n’agua…Eu bem sei… bem sei que ris
Dos meus madrigaes modernos.
Sem cuidar, Ăł flor de liz!
Que hĂŁo de chegar-te os invernos!Que nos corre a Mocidade,
Qual folha verde do val,
E ha de vir-te a tempestade,
Ó branco lyrio real!Que has de ser como a açucena
Varrida pelo nordeste…
E os prantos da minha pena
Que hĂŁo de regar teu cypreste!Que ha de a terra agreste e dura
Servir-te de ultimo leito…
E a pedra da sepultura
Quebrar teu corpo perfeito!E has de, emfim, ser devorada
Na fria noute,
O americano nato nunca pode ser um bailarino. As pernas sĂŁo longas demais, o corpo flexĂvel e tambĂ©m o espĂrito livre demais para esta escola de graça afetada e andadas no dedo do pĂ©
Curta Pavana
O dorso que se curva arco elegante
desenha na memória a leve dança
da bailarina grácil, celebrante
de rito sedutor, que me balançatoda vez que me vejo tão distante,
torcendo meus desejos na lembrança
dos momentos vividos, no constante
aprendizado vasto da mudança.Posto que a vida corre em curtas curvas,
transitória paisagem, vário atalho
que vai modificando linhas turvas.Mutante claridade me agasalha:
no casulo do gozo de sussurros
sei-me bicho saĂdo dessa malha.
Todos Somos Escravos
NĂŁo há razĂŁo, caro LucĂlio, para sĂł buscares amigos no foro ou no senado: se olhares com atenção encontrá-los-ás em tua casa. Muitas vezes um bom material permanece inutilizado por falta de quem o trabalhe. Tenta, pois, e vĂŞ o resultado. Tal como Ă© estupidez comprar um cavalo inspeccionando, nĂŁo o animal, mas sim a sela e o freio, assim Ă© o cĂşmulo da estupidez julgar um homem pela roupa ou pela condição social, que, de resto, Ă© tĂŁo exterior a nĂłs como a roupa. «É um escravo». Mas pode ter alma de homem livre. «É um escravo». Mas em que Ă© que isso o diminui? Aponta-me alguĂ©m que o nĂŁo seja: este Ă© escravo da sensualidade, aquele da avareza, aquele outro da ambição, todos sĂŁo escravos da esperança, todos o sĂŁo do medo.
Posso mostrar-te um antigo cĂ´nsul sujeito ao mando de uma velhota, um ricalhaço submetido a uma criadita, posso apontar-te jovens filhos de nobilĂssimas famĂlias que se fazem escravos de bailarinos: nenhuma servidĂŁo Ă© mais degradante do que a voluntariamente assumida. AĂ tens a razĂŁo por que nĂŁo deves deixar que os nossos tolos te impeçam de seres agradável para com os teus escravos, em vez de os tratares com altiva superioridade.
O corpo do bailarino é simplesmente a manifestação luminosa da alma.
Homem pequenino, embusteiro ou bailarino.