NĂŁo hĂĄ menos eloquĂȘncia no tom da voz, nos olhos e no ar da pessoa, que na escolha das palavras.
Passagens sobre EloquĂȘncia
48 resultadosĂ o coração que faz a eloquĂȘncia. Partem do coração, os grandes pensamentos.
A Arte da RetĂłrica Floresce nas Sociedades Decadentes
Um retĂłrico do passado dizia que o seu ofĂcio era fazer que as coisas pequenas parecessem grandes e como tais fossem julgadas. Dir-se-ia um sapateiro que, para calçar pĂ©s pequenos, sabe fazer sapatos grandes. Em Esparta ter-lhe-iam dado a experimentar o azorrague por professar uma arte trapaceira e mentirosa. E creio que Arquidamo, que foi seu rei, nĂŁo terĂĄ ouvido sem espanto a resposta de TucĂdides, ao qual perguntara quem era mais forte na luta, se PĂ©ricles, se ele: «Isso serĂĄ difĂcil de verificar, pois quando o deito por terra, ele convence os espectadores que nĂŁo caiu, e ganha». Os que, com cosmĂ©ticos, caracterizam e pintam as mulheres fazem menos mal, pois Ă© coisa de pouca perda nĂŁo as ver ao natural, ao passo que estoutros fazem tenção de enganar, nĂŁo jĂĄ os olhos, mas o nosso juĂzo, e de abastardar e corromper a essĂȘncia das coisas. Os Estados que longamente se mantiveram em boa ordem e bem governados, como o cretense e o lacedemĂłnio, nĂŁo tinham em grande conta os oradores.
ArĂston definiu sabiamente a retĂłrica como a ciĂȘncia de persuadir o povo; SĂłcrates e PlatĂŁo, como a arte de enganar e lisonjear; e aqueles que isto negam na sua definição genĂ©rica,
Todo o PortuguĂȘs Popular Ă© um Reformador Impaciente
Todo o portuguĂȘs popular Ă© um reformador impaciente. NĂŁo hĂĄ atitude que nĂŁo avalie, serviço que nĂŁo comente, governança que nĂŁo desconheça, ingratidĂŁo que nĂŁo ouse, para maior desembaraço das suas aptidĂ”es. Estas podem nĂŁo ser famosas, mas constituem a soma dum profundo sentido de perseverança e de sacrifĂcio. Quando o mundo se super-humanizar, lĂĄ estarĂĄ o portuguĂȘs para achar natural o que acontece, e portanto necessitado de reforma, e por conseguinte de diĂĄlogo. O Ășltimo homem sobre a terra terĂĄ de ser um portuguĂȘs que duvida do que Ă© natural e que se indisciplina perante a consumação dos sĂ©culos.
HĂĄ raças mais dinĂąmicas, outras mais brilhantes; mas nenhuma outra possui o segredo da importunidade que estimula, desassossega, altera, contradiz e, no entanto, nĂŁo chega a ser violĂȘncia. Dizei-lhe que a vida Ă© um dom, que o trabalho Ă© uma honra, que o homem Ă© uma criação maravilhosa – e ele, ou vos acha hipĂłcritas, ou ocos e delirantes. Os princĂpios «a piori» nĂŁo lhe merecem respeito, e prefere analisar os seus pequenos problemas quotidianos, a obstinar-se na seriedade ou atrofiar-se na eloquĂȘncia que Ă© a mĂŁe da burla. Ele sabe que a pior injĂșria Ă© enobrecer a desgraça.
EloquĂȘncia, n. A arte de persuadir oralmente os tolos de que o branco Ă© a cor que aparenta ser. Inclui o dom de fazer qualquer cor parecer branca.
EloquĂȘncia Ă© a arte de persuadir oralmente os tolos de que o branco Ă© a cor que parece ser. Inclui o dom de fazer qualquer cor parecer branca.
Quem possui atĂ© aqui a eloquĂȘncia mais convincente? O tambor; enquanto os reis lhe podem dar ordens sĂŁo eles que continuam a ser os melhores oradores e os melhores agitadores populares.
Talento nĂŁo Ă© Sabedoria
Deixa-me dizer-te francamente o juĂzo que eu formo do homem transcendente em gĂ©nio, em estro, em fogo, em originalidade, finalmente em tudo isso que se inveja, que se ama, e que se detesta, muitas vezes. O homem de talento Ă© sempre um mau homem. Alguns conheço eu que o mundo proclama virtuosos e sĂĄbios. DeixĂĄ-los proclamar. O talento nĂŁo Ă© sabedoria. Sabedoria Ă© o trabalho incessante do espĂrito sobra a ciĂȘncia. O talento Ă© a vibração convulsiva de espĂrito, a originalidade inventiva e rebelde Ă autoridade, a viagem extĂĄtica pelas regiĂ”es incĂłgnitas da ideia. Agostinho, FĂ©nelon, Madame de StaĂ«l e Bentham sĂŁo sabedorias. Lutero, Ninon de Lenclos, Voltaire e Byron sĂŁo talentos.
Compara as vicissitudes dessas duas mulheres e os serviços prestados Ă humanidade por esses homens, e terĂĄs encontrado o antagonismo social em que lutam o talento com a sabedoria. Porque Ă© mau o homem de talento ? Essa bela flor porque tem no seio um espinho envenenado ? Essa esplĂȘndida taça de brilhantes e ouro porque Ă© que contĂ©m o fel, que abrasa os lĂĄbios de quem a toca ? Aqui tens um tema para trabalhos superiores Ă cabeça de uma mulher, ainda mesmo reforçada por duas dĂșzias de cabeças acadĂ©micas !
Descobrindo-se, o poeta personifica, representa. Nos melhores momentos descobre o que nem sequer encoberto estava, porque o que ele faz Ă© ver a oblĂqua eloquĂȘncia ou o encanto do que, sem ele, nĂŁo seria.
A eloquĂȘncia vale mais que o saber.
A maior eloquĂȘncia nĂŁo Ă© a palavra pronunciada, mas a verdade em acção.
O homem poderoso que junta a eloquĂȘncia Ă audĂĄcia torna-se num cidadĂŁo perigoso quando lhe falta bom senso.
A eloquĂȘncia parlamentar Ă© uma campaiÂnha que se toca quando chega a hora do jantar.
No falar, a discrição importa mais do que a eloquĂȘncia.
Quando a eloquĂȘncia, inspirada do Ăntimo da alma, regurgita em jorros dos lĂĄbios de uma amante, Ă© certo o triunfo.
O EspĂrito Ă© a Arma da Diplomacia
Ser espirituoso Ă© metade de ser diplomata. (…) O espĂrito move tudo e nĂŁo responde por coisa alguma: ele Ă© a eloquĂȘncia da alegria, e o entrincheiramento das situaçÔes difĂceis: salva uma crise fazendo sorrir: condensa em duas palavras a crĂtica de uma instituição: disfarça Ă s vezes a fraqueza de uma opiniĂŁo, acentua outras vezes a força de uma ideia: Ă© a mais fina salvaguarda dos que nĂŁo querem definir-se francamente: tira a intransigĂȘncia Ă s convicçÔes, fazendo-lhes cĂłcegas: substitui a razĂŁo quando nĂŁo substitui a ciĂȘncia, dĂĄ uma posição no mundo, e, adoptado como um sistema, derruba um impĂ©rio. E, sobretudo pelo indefinido que dĂĄ Ă conversação, ele Ă© a arma verdadeira da diplomacia.
O milagre nĂŁo Ă© dar vida ao corpo extinto, Ou luz ao cego, ou eloquĂȘncia ao mudo… Nem mudar ĂĄgua pura em vinho tinto… Milagre Ă© acreditarem nisso tudo!
Em amor um silĂȘncio vale mais do que uma linguagem. Ă bom ficar sem palavras; hĂĄ uma eloquĂȘncia no silĂȘncio que penetra mais do que a lĂngua o conseguiria.
A eloquĂȘncia Ă© uma pintura do pensamento.
Bom e Expressivo
Acaba mal o teu verso,
mas fĂĄ-lo com um desĂgnio:
Ă© um mal que nĂŁo Ă© mal,
Ă© lutar contra o bonito.Vai-me a essas rimas que
tĂŁo bem desfecham e que
sĂŁo o pĂŁo de lĂł dos tolos
e torce-lhes o pescoço,tal como o outro pedia
se fizesse Ă eloquĂȘncia,
e se houver um vossa excelĂȘncia
que grite: â NĂŁo Ă© poesia!,diz-lhe que nĂŁo, que nĂŁo Ă©,
que Ă© topada, lixa trĂȘs,
serração, vidro moĂdo,
papel que se rasga ou pe-dra que rola na pedra…
Mas também da rima «em cheio»
poderĂĄs tirar partido,
que a regra Ă© nĂŁo haver regra,a nĂŁo ser a de cada um,
com sua rima, seu ritmo,
nĂŁo fazer bom e bonito,
mas fazer bom e expressivo…