Passagens sobre EloquĂȘncia

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EloquĂȘncia positiva Ă© aquele que persuade com doçura, nĂŁo com violĂȘncia, ou seja, como um rei, nĂŁo como um tirano.

O Maior Amor e as Coisas que Se Amam

Tomara poder desempenhar-me, sem hesitaçÔes nem ansiedades, deste mandato subjectivo cuja execução por demorada ou imperfeita me tortura e dormir descansadamente, fosse onde fosse, plĂĄtano ou cedro que me cobrisse, levando na alma como uma parcela do mundo, entre uma saudade e uma aspiração, a consciĂȘncia de um dever cumprido.

Mas dia a dia o que vejo em torno meu me aponta novos deveres, novas responsabilidades da minha inteligĂȘncia para com o meu senso moral. Hora a hora a (…) que escreve as sĂĄtiras surge colĂ©rica em mim. Hora a hora a expressĂŁo me falha. Hora a hora a vontade fraqueja. Hora a hora sinto avançar sobre mim o tempo. Hora a hora me conheço, mĂŁos inĂșteis e olhar amargurado, levando para a terra fria uma alma que nĂŁo soube contar, um coração jĂĄ apodrecido, morto jĂĄ e na estagnação da aspiração indefinida, inutilizada.

Nem choro. Como chorar? Eu desejaria poder querer (desejar) trabalhar, febrilmente trabalhar para que esta pĂĄtria que vĂłs nĂŁo conheceis fosse grande como o sentimento que eu sinto quando n’ela penso. Nada faço. Nem a mim mesmo ouso dizer: amo a pĂĄtria, amo a humanidade. Parece um cinismo supremo. Para comigo mesmo tenho um pudor em dizĂȘ-lo.

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O governo nĂŁo Ă© uma razĂŁo, tambĂ©m nĂŁo Ă© eloquĂȘncia, Ă© força. Opera como o fogo; Ă© um servente perigoso e um amo temĂ­vel; em nenhum momento se deve permitir que mĂŁos irresponsĂĄveis o controlem.

A poesia nĂŁo estĂĄ nem nos pensamentos, nem nas coisas, nem nas palavras; ela nĂŁo Ă© nem filosofia, nem descrição, nem eloquĂȘncia: ela Ă© inflexĂŁo.

O Pranto e o Riso

Se o Pranto e o Riso aparecessem neste grande teatro no traje da verdade (sempre nua), sem dĂșvida seria a vitĂłria do Pranto. Mas vestido, ornado e armado de uma tĂŁo superior eloquĂȘncia, que o Riso se ria do Pranto, nĂŁo Ă© merecimento, foi sorte. De tudo quanto ri saiu vestido, ornado e armado o Riso: riem-se os prados e saiu vestido de flores: ri-se a Aurora, e saiu ornado de luzes; e se aos relĂąmpagos e raios chamou a Antiguidade Risus Vestae, et Vulcani, entre tantos relĂąmpagos, trovĂ”es e raios de eloquĂȘncia, quem nĂŁo julgarĂĄ ao miserĂĄvel Pranto cego, atĂłnito e fulminado? Tal Ă© a fortuna, ou a natureza, destes dois contrĂĄrios. Por isso nasce o Riso na boca, como eloquente, e o Pranto nos olhos, como mudo.
(…) DemĂłcrito ria sempre: logo nunca ria. A consequĂȘncia parece difĂ­cil e Ă© evidente. O Riso, como dizem todos os FilĂłsofos, nasce da novidade e da admiração e cessando a novidade ou a admiração, cessa tambĂ©m o riso; e como DemĂłcrito se ria dos ordinĂĄrios desconcertos do mundo, e o que Ă© ordinĂĄrio e se vĂȘ sempre nĂŁo pode causar admiração nem novidade; segue-se que nunca ria, rindo sempre, pois nĂŁo havia matĂ©ria que motivasse o riso.

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Todo aquele que encobre a prĂłpria injustiça debaixo do manto lustroso da eloquĂȘncia merece um grande castigo.

Da Conversa

HĂĄ quem, na conversa, prefira mostrar espĂ­rito brilhante, e ser capaz de sustentar todos os argumentos, a exercer o juĂ­zo no discernimento da verdade, como se houvesse maior mĂ©rito em saber o que pode ser dito, do que em conhecer o que deve ser pensado, alguns tĂȘm certos lugares comuns e certos temas em que se mostram bons conversadores, mas sĂŁo falhos na variedade; esta espĂ©cie de indigĂȘncia Ă© quase sempre aborrecida, e de vez em quando ridĂ­cula; a parte mais honrosa do colĂłquio consiste em dar ocasiĂŁo a novo tema, e tambĂ©m em moderar ou acelerar a transição para assunto diferente; Ă© bom variar, mesclando o assunto de que se estĂĄ a conversar com argumentos, narrativas com discussĂ”es, perguntas com respostas, jocosidades com seriedades; hĂĄ, porĂ©m, assuntos que nĂŁo permitem brincadeira, nomeadamente a religiĂŁo, os negĂłcios do Estado, as altas personalidades, todas as questĂ”es de importĂąncia para as pessoas presentes, enfim, todos os casos dignos de dĂł.
Aquele que muito interrogar muito aprenderå também, muito contentarå também, especialmente se adaptar as suas perguntas aos conhecimentos daqueles que lhe podem responder, pois assim lhes darå ocasião de se comprazerem a falar, e ele próprio continuarå a ganhar conhecimentos; se por vezes fingirdes ignorar o que consta que sabeis,

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Da Simpatia Sublime

É a simpatia um dos prodĂ­gios selados da natureza; mas os seus efeitos sĂŁo matĂ©ria do pasmo, sĂŁo assunto da admiração. Consiste num parentesco dos coraçÔes, se a antipatia for um divĂłrcio das vontades.
Alguns dĂŁo-lhe origem na correspondĂȘncia em temperamentos; outros, na irmandade dos astros. Aspira aquela a obrar milagres, e esta monstruosidades. SĂŁo prodĂ­gios da simpatia os que a comum ignorĂąncia reduz a efeitos e a vulgaridade a encantos.
A mais culta perfeição sofreu desprezos da antipatia, e a mais inculta fealdade logrou finezas da simpatia. AtĂ© entre pais e filhos pretendem jurisdição e executam a cada dia a sua potĂȘncia, atropelando leis e frustrando privilĂ©gios de natureza e polĂ­tica. Perde reinos a antipatia de um pai e dĂĄ-os uma simpatia.
Tudo alcançam os mĂ©ritos da simpatia; persuade sem eloquĂȘncia e recolhe quanto queira, presenteando memoriais de harmonia natural. A simpatia realçada Ă© carĂĄcter, Ă© estrela de heroicidade; mas alguns hĂĄ de gosto Ă­man, que mantĂȘm antipatia com o diamante e simpatia com o ferro. Monstruosidade da natureza, apetecer escĂłria e asquear o luzimento.

Quem possui atĂ© o presente a eloquĂȘncia mais convincente? O rufar do tambor, enquanto os reis o tiverem sob o poder serĂŁo os melhores agitadores populares.

Hino Ă  Beleza

Onde quer que o fulgor da tua glória apareça,
— Obra de gĂ©nio, flor de heroĂ­smo ou santidade, —
Da Gioconda imortal na radiosa cabeça,
Num acto de grandeza augusta ou de bondade,

— Como um pagão subindo à Acrópole sagrada,
Vou de joelhos render-te o meu culto piedoso,
Ou seja o HerĂłi que leva uma aurora na Espada,
Ou o Santo beijando as chagas do Leproso.

Essa luz sem igual com que sempre iluminas
Tudo o que existe em nĂłs de grande e puro, veio
Do mesmo foco em mil parĂĄbolas divinas:
— Raios do mesmo olhar, ñnsias do mesmo seio.

Alta revelação que, baixando em segredo,
O prisma humano quebra em Ăąngulos dispersos,
Como a ĂĄgua a cair de rochedo em rochedo
Repete o mesmo som, mas em modos diversos.

É audácia no Herói; resignação no Santo;
Som e Cor, ondulando em formas imortais;
No mĂĄrmore rebelde abre em folhas de acanto,
E esmalta de candura a flora dos vitrais.

Ó Beleza! Ó Beleza! as Horas fugitivas
Passam diante de ti, aladas como sonhos…

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Se ela tivesse dito torrentes de eloquĂȘncia, amava-a naturalmente pelo espĂ­rito. Como nĂŁo disse nada, amava-a pelo silĂȘncio. O coração do homem Ă© como o paladar dos pobres: tudo lhes sabe a comer.

Aquele que se diz juiz com o prestĂ­gio da eloquĂȘncia, Ă© mais culpado do que qualquer outro que o corrompa com dinheiro.

A Ira nĂŁo Escolhe Idade nem Estatuto Social

A ira nĂŁo escolhe idade nem estatuto social. Algumas pessoas, graças Ă  sua indigĂȘncia, nĂŁo conhecem a luxĂșria; outros, porque tĂȘm uma vida movimentada e errante, escapam Ă  preguiça; aqueles que tĂȘm modos rudes e uma vida rĂșstica desconhecem as prisĂ”es, as fraudes e todos os males da cidade: mas ninguĂ©m estĂĄ livre da ira, tĂŁo poderosa entre os Gregos como entre os bĂĄrbaros, tĂŁo funesta entre aqueles que temem as leis como entre aqueles que se regem pela lei da força. Assim, se outras afecçÔes atacam os indivĂ­duos, a ira Ă© a Ășnica afecção que, por vezes, se apodera de um povo inteiro. Nunca um povo inteiro ardeu de amor por uma mulher, nem uma cidade inteira depositou toda a sua esperança no dinheiro e no lucro; a ambição apossa-se de indivĂ­duos, a imoderação nĂŁo Ă© um mal pĂșblico.
Por vezes, uma multidĂŁo inteira Ă© conduzida Ă  ira: homens e mulheres, velhos e novos, os principais cidadĂŁos e o vulgo sĂŁo unĂąnimes, e toda a multidĂŁo agitada por algumas palavras sobrepĂ”e-se ao prĂłprio agitador: corre a pegar em armas e tochas e declara guerra ao seu vizinho e fĂĄ-la contra os seus concidadĂŁos; casas inteiras sĂŁo queimadas com toda a famĂ­lia e aquele cuja eloquĂȘncia lhe granjeara muitos benefĂ­cios Ă© eliminado pela ira que as suas palavras geraram;

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HĂĄ nĂŁo sei que semelhança entre a eloquĂȘncia e o raio. O raio abrasa, pulveriza quase sem queimar; a eloquĂȘncia quase sem persuadir.

É a Conformidade que Torna a ConvivĂȘncia AgradĂĄvel

Aqueles que se contentam em recitar os antigos nĂŁo tornam a sociedade mais ĂĄgil. Mas, quando se busca e se diz uma quantidade de coisas que nĂŁo provĂ©m de quem quer que seja, Ă© possĂ­vel ao menos encontrar alguma que a sociedade nĂŁo sabia. Pois Ă© um grande erro imaginar que nĂŁo se pode dizer nada que nĂŁo tenha sido dito. (…) Estraga-se frequentemente aquilo que se deseja muito polir e muito embelezar. O meio de evitar esse inconveniente, tanto para bem escrever como para bem falar, Ă© ter ainda mais cuidado com a simplicidade do que com a perfeição das coisas.
O ar nobre e natural Ă© o principal atractivo da eloquĂȘncia, e entre a gente da sociedade, o que provĂ©m do estudo Ă© quase sempre mal acolhido. Deve-se atĂ© mesmo conter o espĂ­rito em muitas ocasiĂ”es, e evitar o que se sabe de maior valor. Admiramos facilmente as coisas que estĂŁo acima de nĂłs, e que perdemos de vista; mas apenas as amamos raramente, e isso Ă© o que importa. Os animais buscam apenas os animais da sua espĂ©cie, e nĂŁo seguem os mais perfeitos. É a conformidade que torna a convivĂȘncia agradĂĄvel, e que faz amar com uma afeição recĂ­proca.

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