A uns Olhos Negros
Olhos negros, que da alma sois senhores
Duvido com razĂŁo desse atributo,
Que Ă© muito, que quem mata, traga o luto,
E Ă© muito ver na noite resplendores:Se de negros, meus olhos, tendes cores,
Como as almas vos dĂŁo hoje tributo.
Quem viu que os negros com rigor astuto
Os brancos prenda com grilhĂ”es traidores.Mas ah, que foi discreta providĂȘncia
O fazĂȘ-lo da cor da minha sorte,
Por nĂŁo sentir rigor tĂŁo desabrido.Para que veja assim toda a prudĂȘncia
Que foi prodĂgio grande, e pasmo forte,
Em duas noites ver o Sol partido.