O valor essencial da arte está em ela ser o indício da passagem do homem no mundo, o resumo da sua experiência emotiva dele; e, como é pela emoção, e pelo pensamento que a emoção provoca, que o homem mais realmente vive na terra, a sua verdadeira experiência regista-a ele nos fastos das suas emoções e não na crónica do seu pensamento científico, ou nas histórias dos seus regentes e dos seus donos.
Frases sobre Arte de Fernando Pessoa
35 resultadosO valor de uma obra de arte é tanto maior quanto é puramente artístico o meio de manifestar a ideia.
Toda a arte que revele o artista mostra um artista que não tem nada que revelar, um não-artista portanto.
A arte tem a sinceridade da perfeição; nenhuma outra.
Tudo quanto fazemos, na arte ou na vida, é a cópia imperfeita do que pensámos em fazer. Desdiz não só da perfeição externa, senão da perfeição interna; falha não só à regra do que deveria ser, senão à regra do que julgávamos que poderia ser. Somos ocos não só por dentro, senão também por fora, párias da antecipação e da promessa.
Que é a arte senão a negação da vida?
A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas, como se sente que são. O essencial na arte é exprimir; o que se exprime não tem importância.
Só a arte é útil. Crenças, exércitos, impérios, atitudes – tudo isso passa. Só a arte fica, por isso só a arte se vê, porque dura.
A literatura, como toda a arte, é uma confissão de que a vida não basta. Talhar a obra literária sobre as próprias formas do que não basta é ser impotente para substituir a vida.
Só a literatura – cópia silenciosa das coisas que não existem, tem foros de cidade no país das Artes. As outras são arrabaldes de vilas que já não existem.
Saber ser supersticioso ainda é uma das artes que, realizadas a auge, marcam o homem superior.
Tem duas formas, ou modos, o que chamamos cultura. Não é a cultura senão o aperfeiçoamento subjectivo da vida. Esse aperfeiçoamento é directo ou indirecto; ao primeiro se chama arte, ciência ao segundo. Pela arte nos aperfeiçoamos a nós; pela ciência aperfeiçoamos em nós o nosso conceito, ou ilusão, do mundo.
É nas decadências que mais inteligência aparece, mais amor à arte, à beleza, à verdade. É quando o homem começa a amar a verdade que chega a hora dos bárbaros.
A arte mente porque é social.
A condição essencial para ser um homem prático é a ausência de sensibilidade (…). A arte serve de fuga para a sensibilidade que a ação teve que esquecer.