Assim éramos nós obscuramente dois, nenhum de nós sabendo bem se o outro não era ele-próprio, se o incerto outro viveria…
Frases sobre Dois de Fernando Pessoa
17 resultadosHá apenas dois tipos de estado de alma constante em que a vida vale a pena ser vivida – com a nobre alegria de ter uma religião, ou com a nobre tristeza de se ter perdido uma.
O raciocínio é uma timidez – duas timidezes talvez, sendo a segunda a de ter vergonha de estar calado.
As ideias são prodigiosas – elas e a maneira como se associam. Num momento, descobrimos que atravessámos o mundo, e que transpusemos o infinito entre dois pensamentos.
A actividade social chamada comércio, por mal vista que esteja pelos teoristas de sociedades impossíveis, é contudo um dos dois característicos distintivos das sociedades chamadas civilizadas. O outro característico distintivo é o que se denomina cultura.
Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.
O governo assenta em duas coisas: refrear e enganar.
Nós nunca nos realizamos. Somos dois abismos – um poço fitando o céu.
Somos dois abismos – um poço fitando o Céu.
Duas coisas só me deu o Destino: uns livros de contabilidade e o dom de sonhar.
Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples. Tenho só duas datas: a de minha nascença e a de minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meus…
Dentro da capoeira de onde irá a matar, o galo canta hinos à liberdade porque lhe deram dois poleiros.
Há dois processos de dominar ou vencer – captar e subjugar. Captar é o modo gregário de dominar ou vencer; subjugar é o modo antigregário de dominar ou vencer.
Dois bons poemas não valem mais juntos do que o melhor dos dois.
Tem duas formas, ou modos, o que chamamos cultura. Não é a cultura senão o aperfeiçoamento subjectivo da vida. Esse aperfeiçoamento é directo ou indirecto; ao primeiro se chama arte, ciência ao segundo. Pela arte nos aperfeiçoamos a nós; pela ciência aperfeiçoamos em nós o nosso conceito, ou ilusão, do mundo.
Há duas espécies de poetas – os que pensam o que sentem, e os que sentem o que pensam.
Eram dois e belos e desejavam ser outra coisa; o amor tardava-lhes no tédio do futuro, e a saudade do que haveria de ser vinha já sendo filha do amor que não tinham tido.