TĂŁo-somente o infortĂșnio pode converter um coração de pedra num coração humano.
Passagens sobre InfortĂșnio
64 resultadosQuanta Tristeza e Amargura
Quanta tristeza e amargura afoga
Em confusĂŁo a ‘streita vida!
Quanto InfortĂșnio mesquinho
Nos oprime supremo!
Feliz ou o bruto que nos verdes campos
Pasce, para si mesmo anĂŽnimo, e entra
Na morte como em casa;
Ou o sĂĄbio que, perdido
Na ciĂȘncia, a fĂștil vida austera eleva
Além da nossa, como o fumo que ergue
Braços que se desfazem
A um céu inexistente.
A Jovem Cativa
(André Chenier)
â âRespeita a foice a espiga que desponta;
Sem receio ao lagar o tenro pĂąmpano
Bebe no estio as lĂĄgrimas da aurora;
Jovem e bela também sou; turvada
A hora presente de infortĂșnio e tĂ©dio
Seja embora: morrer nĂŁo quero ainda!De olhos secos o estĂłico abrace a morte;
Eu choro e espero; ao vendaval que ruge
Curvo e levanto a tĂmida cabeça.
Se hå dias maus, também os hå felizes!
Que mel nĂŁo deixa um travo de desgosto?
Que mar nĂŁo incha a um temporal desfeito?Tu, fecunda ilusĂŁo, vives comigo.
Pesa em vĂŁo sobre mim cĂĄrcere escuro,
Eu tenho, eu tenho as asas da esperança:
Escapa da prisĂŁo do algoz humano,
Nas campinas do céu, mais venturosa,
Mais viva canta e rompe a filomela.Deve acaso morrer ? TranqĂŒila durmo,
TranqĂŒila velo; e a fera do remorso
NĂŁo me perturba na vigĂlia ou sono;
Terno afago me ri nos olhos todos
Quando apareço, e as frontes abatidas
Quase reanima um desusado jĂșbilo.Desta bela jornada Ă© longe o termo.
Importuna coisa Ă© a felicidade alheia quando somos vĂtima de algum infortĂșnio.
Os Melhores Momentos do Amor
Nos transportes do amor, na conversa com a amada, nos favores que recebes dela, atĂ© nos mais extremos, vais mais em busca da felicidade do que Ă tentação de provar isso de que o teu coração agitado sente uma grande falta, um nĂŁo-sei-quĂȘ de menos do que ele esperava, um desejo de algo, mesmo de muito mais. Os melhores momentos do amor sĂŁo aqueles de uma tranquila e doce melancolia em que choras e nĂŁo sabes porquĂȘ, e te resignas quase na quietude a um infortĂșnio que desconheces. Nessa quietude, a tua alma estĂĄ quase cumulada, e quase sente o gosto da felicidade. Assim como no amor, que Ă© o estado da alma mais rico de prazeres e ilusĂ”es, a melhor parte, a via mais correcta para o prazer e para uma sombra de felicidade Ă© a dor.
(…) Quando um homem concebe o amor, o mundo inteiro se dissipa aos seus olhos, ele nĂŁo vĂȘ nada alĂ©m do ser amado, estĂĄ no meio da multidĂŁo, das conversas, em plena solidĂŁo, abstraĂdo, fazendo os gestos que lhe inspira esse pensamento sempre imĂłvel e muito poderoso, sem se preocupar com a surpresa nem com o desprezo alheios, ele se esquece de tudo e tudo lhe parece tedioso sem esse Ășnico pensamento,
NĂŁo hĂĄ infortĂșnio maior do que esperar o infortĂșnio.
Ă um alĂvio para o desgraçado ter companheiros de infortĂșnio.
Serenidade da Alma
NĂŁo examinar o que se passa na alma dos outros dificilmente farĂĄ o infortĂșnio de alguĂ©m; mas os que nĂŁo seguem com atenção os movimentos das suas prĂłprias almas sĂŁo fatalmente desditosos.
(…) Ser semelhante ao promontĂłrio contra o qual vĂȘm quebrar as vagas e que permanece firme enquanto, Ă sua volta, espumeja o furor das ondas.
– Que desgraça ter-me acontecido isto!
NĂŁo, nĂŁo Ă© assim que se deve falar, mas desta maneira:
– Que felicidade, apesar do que me aconteceu, eu nĂŁo me mortificar, nĂŁo me deixar abater pelo presente nem me assustar pelo futuro!
Na verdade, coisa idĂȘntica poderia suceder a toda a gente, mas bem poucos a suportariam sem se mortificarem. Por que razĂŁo considerar este acontecimento infortunado e aquele outro feliz?
Em resumo, chamas de infortĂșnio para o ser humano aquilo que nĂŁo Ă© um obstĂĄculo Ă sua natureza? E consideras um obstĂĄculo Ă natureza do ser humano aquilo que nĂŁo vai contra a vontade da sua natureza? Que queres, entĂŁo? Conheces bem essa vontade; aquilo que te sucede impede-te, por acaso, de ser justo, magnĂąnimo, sĂłbrio, reflectido, prudente, sincero, modesto, livre, e de possuir as outras virtudes cuja posse assegura Ă natureza do ser humano a felicidade que lhe Ă© prĂłpria?
NĂŁo existe tal coisa como um infortĂșnio tĂŁo mau que as pessoas hĂĄbeis nĂŁo saibam dele tirar proveito, como tambĂ©m nĂŁo existe uma felicidade tal que os mais volĂșveis nĂŁo transformem em prejuĂzo prĂłprio.
Ă um ensino eficaz o do infortĂșnio.
HĂĄ mulheres que parecem ensoberbecer-se com o seu prĂłprio infortĂșnio. A docilidade, a humilhação sem desdouro, poderĂĄ, nos casos de muitas, revirar a pouco e pouco a sorte.
Brasa cruel acalenta no seio, quem se regozija com infortĂșnio alheio.
Os espĂritos pequenos sĂŁo domados e subjugados pelo infortĂșnio; os grandes, porĂ©m, sabem como fugir Ă desgraça.
Posses e Capacidade atrapalham a Felicidade
Foi observado em todas as Ă©pocas que as vantagens da natureza, ou da fortuna, contribuĂram muito pouco para a promoção da felicidade; e que aqueles a quem o esplendor da sua classe social, ou a extensĂŁo das suas capacidades, colocou no topo da vida humana nĂŁo deram muitas vezes ocasiĂŁo justa de inveja por parte dos que olham para eles de uma condição mais baixa; quer seja que a aparente superioridade incite a grandes desĂgnios e os grandes desĂgnios corram naturalmente o risco de insucessos fatais; ou que o destino da humanidade seja a misĂ©ria, os infortĂșnios daqueles cuja eminĂȘncia atraiu sobre eles a atenção universal foram mais cuidadosamente registados, porque, em geral, eram mais bem observados e foram, na realidade, mais conspĂcuos do que outros, mas nĂŁo com maior frequĂȘncia nem severidade.
Se todos os nossos infortĂșnios fossem colocados juntos e, posteriormente, repartidos em partes iguais por cada um de nĂłs, ficarĂamos muito felizes se pudĂ©ssemos ter apenas, de novo, sĂł os nossos.
Quanto mais vocĂȘ pensar em seus infortĂșnios, mais poder terĂŁo eles para magoĂĄ-lo.
Aceita-se a massa do infortĂșnio, a poeira nĂŁo.
De todos os infortĂșnios que afligem a humanidade, o mais amargo Ă© que temos de ter consciĂȘncia de muito e controle de nada.
Quem pode ver insensivelmente o alheio infortĂșnio, ignora que hĂĄ dores.
Quando a alegria se torna tristeza e o bem estar infortĂșnio, as almas pacientes extrairĂŁo prazer mesmo da dor.