Passagens sobre InfortĂșnio

64 resultados
Frases sobre infortĂșnio, poemas sobre infortĂșnio e outras passagens sobre infortĂșnio para ler e compartilhar. Leia as melhores citaçÔes em Poetris.

As letras sĂŁo o alimento da juventude, a paixĂŁo da idade madura e a recreação da velhice; dĂŁo-nos brilho na prosperidade, e sĂŁo uma consolação, um recurso no infortĂșnio; fazem as delĂ­cias do gabinete, e nĂŁo embaraçam em nenhuma situação da vida; de noite servem-nos de companhia, e vĂŁo connosco para o campo e em viagem.

Quem nĂŁo vive a seu tempo, com o espĂ­rito da sua idade,
da sua idade tem todo o infortĂșnio.

O Homem nĂŁo Deseja a Paz

Que estranho bicho o homem. O que ele mais deseja no convĂ­vio inter-humano nĂŁo Ă© afinal a paz, a concĂłrdia, o sossego colectivo. O que ele deseja realmente Ă© a guerra, o risco ao menos disso, e no fundo o desastre, o infortĂșnio. Ele nĂŁo foi feito para a conquista de seja o que for, mas sĂł para o conquistar seja o que for. Poucos homens afirmaram que a guerra Ă© um bem (Hegel, por exemplo), mas Ă© isso que no fundo desejam. A guerra Ă© o perigo, o desafio ao destino, a possibilidade de triunfo, mas sobretudo a inquietação em acção. Da paz se diz que Ă© «podre», porque Ă© o estarmos recaĂ­dos sobre nĂłs, a inactividade, a derrota que sobrevĂ©m nĂŁo apenas ao que ficou derrotado, mas ainda ou sobretudo ao que venceu. O que ficou derrotado Ă© o mais feliz pela necessidade iniludĂ­vel de tentar de novo a sorte. Mas o que venceu nĂŁo tem paz senĂŁo por algum tempo no seu coração alvoroçado. A guerra Ă© o estado natural do bicho humano, ele nĂŁo pode suportar a felicidade a que aspirou. Como o grupo de futebol, qualquer vitĂłria alcançada Ă© o estĂ­mulo insuportĂĄvel para vencer outra vez.

Continue lendo…

Qualquer poderia suportar o maior infortĂșnio, se nĂŁo fossem as consolaçÔes, o dĂł e os tardios conselhos dos afortunados.

GratidĂŁo

A minha gratidĂŁo te dĂĄ meus versos:
Meus versos, da lisonja nĂŁo tocados,
Satélites de Amor, Amor seguindo
Co’as asas que lhes pĂŽs benigna Fama,
Qual nĂ­veo bando de inocentes pombas,
Os lares vĂŁo saudar, propĂ­cios lares,
Que em doce recepção me contiveram
Incertos passos da IndigĂȘncia errante;
Dos olhos vĂŁo ser lidos, que apiedara
A catĂĄstrofe acerba de meus dias,
Dos infortĂșnios meus o quadro triste;
VĂŁo pousar-te nas mĂŁos, nas mĂŁos que foram
TĂŁo dadivosas para o vate opresso,
Que o peso dos grilhÔes me aligeiraram,
Que sobre espinhos me esparziram flores,
Enquanto nĂŁo recentes, vĂŁos amigos,
InĂșteis coraçÔes, volĂșvel turba
(A versos mais atenta que a suspiros)
No Letes mergulhou memĂłrias minhas.
Amigos da Ventura e nĂŁo de Elmano,
Aónio serviçal de vós me vinga;
Ao nome da Virtude o VĂ­cio core.

NĂŁo sei se vens de herĂłis, se vens de grandes;
NĂŁo sei, meu benfeitor, se teus maiores
Foram cobertos, decorados foram
De purpĂșreos dossĂ©is, de mĂĄrcios loiros;
Sei que frequentas da Amizade o templo,
Que Ă©s grande,

Continue lendo…

A Compaixão como Prevenção

A compaixĂŁo Ă© frequentemente um sentimento dos nossos males nos males dos outros. É uma hĂĄbil antevisĂŁo dos infortĂșnios em que podemos cair. Damos auxĂ­lio aos outros para levĂĄ-los a nos dar outro tanto em ocasiĂ”es semelhantes; e os serviços que lhes prestamos sĂŁo, para dizer a verdade, bens que fazemos a nĂłs mesmos de antemĂŁo.

Quem nĂŁo tem o espĂ­rito da sua idade,
da sua idade tem todo o infortĂșnio.

Reflita sobre as suas bĂȘnçãos presentes, as quais todo homem tem bastante; e nĂŁo sobre os infortĂșnios passados, os quais todos homens tĂȘm alguns.

A Um GĂ©rmen

Começaste a existir, geléia crua,
E hĂĄs de crescer, no teu silĂȘncio, tanto
Que, Ă© natural, ainda algum dia, o pranto
Das tuas concreçÔes plåsmicas flua!

A ågua, em conjugação com a terra nua,
Vence o granito, deprimindo-o … O espanto
Convulsiona os espĂ­ritos, e, entanto,
Teu desenvolvimento continua!

Antes, geléia humana, não progridas
E em retrogradaçÔes indefinidas,
Volvas Ă  antiga inexistĂȘncia calma!…

Antes o Nada, oh! gérmen, que ainda haveres
De atingir, como o gérmen de outros seres,
Ao supremo infortĂșnio de ser alma!

HĂĄ quatro espĂ©cies de amigos que o sĂŁo sinceramente: o que ajuda, o que permanece igual na prosperidade e no infortĂșnio, o que dĂĄ um bom conselho e o que tem uma simpatia real por nĂłs.

Afinal de tudo, os homens mais felizes sĂŁo aqueles a quem um infortĂșnio se impĂ”e mais levemente do que esperavam.

A amizade aumenta a felicidade e reduz o infortĂșnio, multiplicando a nossa alegria e dividindo a nossa dor.

Diabo: o autor de todos os nossos infortĂșnios e proprietĂĄrio de todas as coisas boas deste mundo.

lamento para a lĂ­ngua portuguesa

nĂŁo Ă©s mais do que as outras, mas Ă©s nossa,
e crescemos em ti. nem se imagina
que alguma vez uma outra lĂ­ngua possa
pĂŽr-te incolor, ou inodora, insossa,
ser remédio brutal, mera aspirina,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vida nova e repentina.
mas é o teu país que te destroça,
o teu prĂłprio paĂ­s quer-te esquecer
e a sua condição te contamina
e no seu dia-a-dia te assassina.
mostras por ti o que lhe vais fazer:
vai-se por cĂĄ mingando e desistindo,
e desde ti nos deitas a perder
e fazes com que fuja o teu poder
enquanto o mundo vai de nĂłs fugindo:
ruiu a casa que Ă©s do nosso ser
e este anda por isso desavindo
connosco, no sentir e no entender,
mas sem que a desavença nos importe
nĂłs jĂĄ falamos nem sequer fingindo
que sĂł ruĂ­nas vamos repetindo.
talvez seja o processo ou o desnorte
que mostra como Ă© realidade
a relação da língua com a morte,
o nĂł que faz com ela e que entrecorte
a corrente da vida na cidade.

Continue lendo…

Adeus Tranças Cor de Ouro

Adeus tranças cor de ouro,
Adeus peito cor de neve!
Adeus cofre onde estar deve
Escondido o meu tesouro!

Adeus bonina, adeus lĂ­rio
Do meu exĂ­lio de abrolhos!
Adeus, Ăł luz dos meus olhos
E meu tĂŁo doce martĂ­rio!

Adeus meu amor-perfeito,
Adeus tesouro escondido,
E de guardado, perdido
No mais Ă­ntimo do peito.

Desfeito sonho dourado,
Nuvem desfeita de incenso
Em quem dormindo sĂł penso,
Em quem sĂł penso acordado!

VisĂŁo, sim, mas visĂŁo linda,
Sonho meu desvanecido!
Meu paraĂ­so perdido
Que de longe adoro ainda!

Nuvem que ao sopro da aragem
Voou nas asas de prata,
Mas no lago que a retrata
Deixou esculpida a imagem!

Rosa de amor desfolhada
Que n’alma deixou o aroma,
Como o deixa na redoma
Fina essĂȘncia evaporada!

Gota de orvalho que o vento
Levou do cĂĄlix das flores,
Curto abril dos meus amores,
Primavera de um momento!

Adeus Sol, que me alumia
Pelas ondas do oceano
Desta vida, deste engano,

Continue lendo…