O Talento na Juventude e na Velhice
Nada menos exacto do que supor que o talento constitui privilĂ©gio da mocidade. NĂŁo. Nem da mocidade, nem da velhice. NĂŁo se Ă© talentoso por se ser moço, nem genial por se ser velho. A certidĂŁo de idade nĂŁo confere superioridade de espĂrito a ninguĂ©m. Nunca compreendi a hostilidade tradicional entre velhos e moços (que aliĂĄs enche a histĂłria das literaturas); e nĂŁo percebo a razĂŁo por que os homens se lançam tantas vezes recĂprocamente em rosto, como um agravo, a sua velhice ou a sua juventude.
Ser idoso nĂŁo quer dizer que se seja necessĂĄriamente intolerante e retrĂłgado; e engana-se quem supuser que a mocidade, por si sĂł, constitui garantia de progresso ou de renovação mental. As grandes descobertas que ilustram a histĂłria da ciĂȘncia e contribuiram para o progresso humano sĂŁo, em geral, obra dos velhos sĂĄbios; e a mocidade literĂĄria, negando embora sistemĂĄticamente o passado, Ă© nele que se inspira, atĂ© que o escritor adquire (quando adquire) personalidade prĂłpria.
(âŠ) A mocidade, em geral, nĂŁo cria; utiliza, transformando-o, o legado que recebeu. Juventude e velhice nĂŁo se opĂ”em; completam-se na harmonia universal dos seres e das coisas. A vida nĂŁo Ă© sĂł o entusiasmo dos moços;
Passagens de JĂșlio Dantas
57 resultadosNĂŁo sĂŁo as mulheres muito inteligentes que despertam as maiores paixĂ”es. A inteligĂȘncia tem qualquer coisa de ĂĄgil, de mĂĄsculo, de irritante, que repele a sensualidade misteriosa do homem.
O homem Ă© um animal essencialmente infiel.
O que foi sempre o amor senĂŁo a mais dolorosa, a mais voluptuosa das mentiras?
Os bons livros que tĂȘm o direito de viver, defendem-se e justificam-se por si prĂłprios.
Entre um homem moço e uma mulher bonita, a amizade pura, a amizade intelectual Ă© impossĂvel. O homem e a mulher sĂŁo, fundamentalmente, irredutivelmente, inimigos. SĂł se aproximam para se amar â ou para se devorar.
Procura ser tĂŁo gentil com a tua mulher como no tempo que a conquistaste.
O que Ă© mais difĂcil nĂŁo Ă© escrever muito; Ă© dizer tudo, escrevendo pouco.
Aqueles que nĂŁo se recordam do passado veem tudo com olhos de 20 anos.
O maior defeito da mulher Ă© o homem.
NĂŁo hĂĄ como os imitadores para nos fazerem sentir o que existe de mau na obra de um escritor ilustre.
SĂł permanecem na mulher as modas que agradam aos homens.
SĂŁo tĂŁo imensamente grandes, tĂŁo paradoxalmente violentos certos amores, que atingem a expressĂŁo terrĂvel do Ăłdio.
Todas as mulheres que amam se parecem, e todas as mulheres que mentem, mentem da mesma maneira.
O mais difĂcil nĂŁo Ă© escrever muito: Ă© dizer tudo, escrevendo pouco.
O Progresso Aumenta a Vida e a Morte
NĂŁo desconheço que a velhice constitui, em grande parte, um preconceito aritmĂ©tico, e que o nosso maior erro consiste em contar os anos que vivemos. Com efeito, tudo nos leva a supor que a Natureza dotou o homem (nĂŁo falo jĂĄ nas longevidades da BĂblia) de vida mĂ©dia mais longa do que aquela que as estatĂsticas demogrĂĄficas acusam, e que, se morremos antes do termo normal da existĂȘncia, Ă© porque sucumbimos, nĂŁo a «morte natural» (a «morte fisiolĂłgica», de Metchnickoff), mas a «morte violenta», que Ă© a morte por acção destrutiva dos germes patogĂ©nicos. Como quer que seja, porĂ©m, parece-me incontestĂĄvel que o homem envelhece antes do tempo e morre, em geral, quando ainda nĂŁo chegou a meio do caminho da vida.
SerĂĄ o engenho humano capaz de opĂŽr uma barreira Ă marcha inexorĂĄvel da decrepitude? Talvez. O nosso organismo Ă© uma mĂĄquina; gasta-se, como todas as mĂĄquinas; e, por milagre da Natureza, ainda Ă© aquela que, funcionando permanentemente, consegue durar mais tempo. Contentemo-nos com a ideia de que o homem de hoje vive mais do que vivia na Antiguidade clĂĄssica e na Ă©poca medieval, mercĂȘ do progresso das tĂ©cnicas, do conforto moderno da existĂȘncia, da observação dos preceitos que a higiene,
A melhor maneira de ser grande Ă© fazer-se entender pelos pequenos.
A mulher sĂł ama quando admira; para amar um homem precisa de se sentir inferior a ele.
O amor nasce de quase nada e morre de quase tudo.
A felicidade Ă© qualquer coisa que depende mais de nĂłs mesmos, do que das circunstĂąncias e das eventualidades da vida.