A Alegoria da Caverna
– Imagina agora o estado da natureza humana com respeito Ă ciĂŞncia e Ă ignorância, conforme o quadro que dele vou esboçar. Imagina uma caverna subterrânea que tem a toda a sua largura uma abertura por onde entra livremente a luz e, nessa caverna, homens agrilhoados desde a infância, de tal modo que nĂŁo possam mudar de lugar nem volver a cabeça devido Ă s cadeias que lhes prendem as pernas e o tronco, podendo tĂŁo-sĂł ver aquilo que se encontra diante deles. Nas suas costas, a certa distância e a certa altura, existe um fogo cujo fulgor os ilumina, e entre esse fogo e os prisioneiros depara-se um caminho dificilmente acessĂvel. Ao lado desse caminho, imagina uma parede semelhante a esses tapumes que os charlatĂŁes de feita colocam entre si e os espectadores para esconder destes o jogo e os truques secretos das maravilhas que exibem.
– Estou a imaginar tudo isso.
– Imagina homens que passem para alĂ©m da parede, carregando objectos de todas as espĂ©cies ou pedra, figuras de homens e animais de madeira ou de pedra, de tal modo que tudo isso apareça por cima do muro. Os que tal transportam, ou falam uns com os outros,
Passagens sobre Maravilha
90 resultadosDe verdade, terminou ela com a alma: não vá morrer sem experimentar a maravilha de trepar com amor.
É no mundo intelectual que se admiram e apreciam as maravilhas inumeráveis do mundo sensĂvel e material.
O segredo da felicidade está em olhar todas as maravilhas do mundo e nunca se esquecer da sua missão ou do seu objetivo
O mundo Ă© cheio de maravilhas, mas nada Ă© mais maravilhoso que o Homem.
Fala do Velho do Restelo ao Astronauta
Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nĂłs, e melhor e mais puro.No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde nĂŁo chove.Mas o mundo, astronauta, Ă© boa mesa
Onde come, brincando, sĂł a fome,
SĂł a fome, astronauta, sĂł a fome,
E sĂŁo brinquedos as bombas de napalme.
Sogra boa Ă© maravilha, uma nora nunca Ă© filha.
Rodopio
Volteiam dentro de mim,
Em rodopio, em novelos,
Milagres, uivos, castelos,
Forcas de luz, pesadelos,
Altas tĂ´rres de marfim.Ascendem hĂ©lices, rastros…
Mais longe coam-me sois;
Há promontórios, farois,
Upam-se estátuas de herois,
Ondeiam lanças e mastros.Zebram-se armadas de côr,
Singram cortejos de luz,
Ruem-se braços de cruz,
E um espelho reproduz,
Em treva, todo o esplendor…Cristais retinem de mĂŞdo,
Precipitam-se estilhaços,
Chovem garras, manchas, laços…
Planos, quebras e espaços
Vertiginam em segrĂŞdo.Luas de oiro se embebedam,
Rainhas desfolham lirios;
Contorcionam-se cĂrios,
Enclavinham-se delĂrios.
Listas de som enveredam…Virgulam-se aspas em vozes,
Letras de fogo e punhais;
Há missas e bacanais,
Execuções capitais,
Regressos, apoteoses.Silvam madeixas ondeantes,
Pungem lábios esmagados,
Há corpos emmaranhados,
Seios mordidos, golfados,
Sexos mortos de anseantes…(Há incenso de esponsais,
Há mãos brancas e sagradas,
Há velhas cartas rasgadas,
Há pobres coisas guardadas –
Um lenço, fitas, dedais…)Há elmos, trofĂ©us, mortalhas,
Emanações fugidias,
O eterno mistério do céu estrelado e as maravilhas da mecânica celeste são lei mas não evangelho. A misericórdia cresce nas fundações da vida.
Uma das maravilhas da vida é o facto de que ninguém precisa de esperar nem um segundo para começar a melhorar o mundo.