NĂŁo te Arrependas
NĂŁo te arrependas, Amada, porque a mim tĂŁo depressa
te deste!
Podes crer, nem por isso de ti penso coisas insolentes
e vis!
Våria é a acção das setas do Amor: algumas arranham,
E do rastejante veneno languesce pra anos o peito.
Mas, com penas potentes e gume afiado de fresco,
Outras penetram até ao tutano e råpido inflamam
o sangue.
Nos tempos herĂłicos, quando Deuses e Deusas amavam,
Ao olhar seguia o desejo, ao desejo o prazer.
CrĂȘs tu que a Deusa do Amor pensou muito tempo
Quando no bosque de Ida um dia Anquises lhe
agradou?
Se Luna tardasse a beijar o belo dormente,
Auiora, invejosa, em breve o teria acordado.
Hero descobriu Leandro no festim ruidoso, e ligeiro,
Ardente saltou o amante pra a corrente nocturna.
Rhea SĂlvia, a virgem princesa, vai descuidosa
Buscar ĂĄgua ao Tibre, e o Deus dela se apossa.
Assim Marte gerou os seus filhos! â Uma loba
amamenta
Os Gémeos, e Roma nomeia-se princesa do mundo.Tradução de Paulo Quintela
Poemas sobre Amantes de Johann Wolfgang von Goethe
3 resultadosLivro do Amor
O mais singular livro dos livros
Ă o Livro do Amor;
Li-o com toda a atenção:
Poucas folhas de alegrias,
De dores cadernos inteiros.
Apartamento faz uma secção.
Reencontro! um breve capĂtulo,
FragmentĂĄrio. Volumes de mĂĄgoas
Alongados de comentĂĄrios,
Infinitos, sem medida.
Ă Nisami! â mas no fim
Achaste o justo caminho;
O insolĂșvel, quem o resolve?
Os amantes que tornam a encontrar-se.Tradução de Paulo Quintela
Canto dos EspĂritos sobre as Ăguas
A alma do homem
Ă como a ĂĄgua:
Do céu vem,
Ao céu sobe,
E de novo tem
Que descer Ă terra,
Em mudança eterna.Corre do alto
Rochedo a pino
O veio puro,
EntĂŁo em belo
Pó de ondas de névoa
Desce Ă rocha liza,
E acolhido de manso
Vai, tudo velando,
Em baixo murmĂșrio,
LĂĄ para as profundas.Erguem-se penhascos
De encontro Ă queda,
â Vai, ‘spĂșmando em raiva,
Degrau em degrau
Para o abismo.No leito baixo
Desliza ao longo do vale relvado,
E no lago manso
Pascem seu rosto
Os astros todos.Vento Ă© da vaga
O belo amante;
Vento mistura do fundo ao cimo
Ondas ‘spumantes.Alma do Homem,
Ăs bem como a ĂĄgua!
Destino do homem,
Ăs bem como o vento!Tradução de Paulo Quintela