Ă tĂŁo Suave a Fuga deste Dia
Ă tĂŁo suave a fuga deste dia,
LĂdia, que nĂŁo parece, que vivemos.
Sem dĂșvida que os deuses
Nos são gratos esta hora,Em paga nobre desta fé que temos
Na exilada verdade dos seus corpos
Nos dĂŁo o alto prĂȘmio
De nos deixarem serConvivas lĂșcidos da sua calma,
Herdeiros um momento do seu jeito
De viver toda a vida
Dentro dum sĂł momento,Dum sĂł momento, LĂdia, em que afastados
Das terrenas angĂșstias recebemos
OlĂmpicas delĂcias
Dentro das nossas almas.E um sĂł momento nos sentimos deuses
Imortais pela calma que vestimos
E a altiva indiferença
Ăs coisas passageirasComo quem guarda a c’roa da vitĂłria
Estes fanados louros de um sĂł dia
Guardemos para termos,
No futuro enrugado,Perene Ă nossa vista a certa prova
De que um momento os deuses nos amaram
E nos deram uma hora
NĂŁo nossa, mas do Olimpo.
Poemas sobre AngĂșstia de Ricardo Reis
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Para os Deuses as Coisas SĂŁo Mais Coisas
Para os deuses as coisas sĂŁo mais coisas.
NĂŁo mais longe eles vĂȘem, mas mais claro
Na certa Natureza
E a contornada vida…
NĂŁo no vago que mal vĂȘem
Orla misteriosamente os seres,
Mas nos detalhes claros
EstĂŁo seus olhos.
A Natureza Ă© sĂł uma superfĂcie.
Na sua superfĂcie ela Ă© profunda
E tudo contém muito
Se os olhos bem olharem.
Aprende, pois, tu, das cristĂŁs angĂșstias,
Ă traidor Ă multĂplice presença
Dos deuses, a nĂŁo teres
VĂ©us nos olhos nem na alma.