O Mundo Velho
Nas crises d’este tempo desgra莽ado,
Quando nos pomos tristes a espalhar
Os olhos pela historia do passado…
Quem n茫o ver谩, contente ou consternado,
– Mundo velho que est谩s a desabar – ?!…Sim tu est谩s a morrer, vil socio antigo…
E Pae de nossos vicios e paix玫es!
Camarada dos crimes, torpe amigo…
– Morre, emfim, correr谩 no teu jazigo,
Em vez de vinho, o sangue das na莽玫es!Deves morrer, provecto criminoso!
Tens vivido de mais, vil sensual!
Tu est谩s velho, cansado e desgostoso,
E, como um velho principe gotoso,
Ris, cruelmente, 谩s sensa莽玫es do mal.– Que 茅 feito do teu Deus, do teu Direito?
– Onde est茫o as vis玫es dos teus prophetas?
– Quem te deu esse orgulho satisfeito?
Muribundo Caiphaz, junto ao teu leito,
Morrem, debalde, os gritos dos poetas!No tempo em que eras forte, foi teu bra莽o
Que apunhalou os grandes ideaes!…
Hoje est谩s gordo, sensural, devasso,
E andas, torpe a rir, como um palha莽o,
N’um circulo lusente de punhaes.Tu tens vendido os justos no mercado!
Poemas sobre Casas de Ant贸nio Gomes Leal
2 resultadosCantiga do Campo
Por que andas tu mal commigo?
脫 minha doce trigueira?
Quem me dera ser o trigo
Que, andando, pisas na eira!Quando entre as mais raparigas
Vaes cantando entre as searas,
Eu choro ao ouvir-te as cantigas
Que cantas nas noutes claras!Os que andam na descamisa
Gabam a violla tua,
Que, 谩s vezes, ou莽o na brisa
Pelos serenos da lua.E fallam com tristes vozes
Do teu amor singular
脕quella casa onde cozes,
Com varanda para o mar.Por isso nada me medra,
Ando curvado e sombrio!
Quem me dera ser a pedra
Em que tu lavas no rio!E andar comtigo, 贸 meu pomo,
Exposto 谩s chuvas e aos soes!
E uma noute morrer como
Se morrem os rouxinoes!Morrer chorando, n’um choro
Que mais as magoas consolla,
Levando s贸 o thesouro
Da nossa triste violla!Por que andas tu mal commigo?
脫 minha doce trigueira?
Quem me dera ser o trigo
Que, andando, pisas na eira!