Certeza Ănica Ă© o Mal Presente
Pois que nada que dure, ou que, durando,
Valha, neste confuso mundo obramos,
E o mesmo Ăștil para nĂłs perdemos
Conosco, cedo, cedo.O prazer do momento anteponhamos
Ă absurda cura do futuro, cuja
Certeza Ășnica Ă© o mal presente
Com que o seu bem compramos.AmanhĂŁ nĂŁo existe. Meu somente
Ă o momento, eu sĂł quem existe
Neste instante, que pode o derradeiro
Ser de quem finjo ser?
Poemas sobre Certeza de Ricardo Reis
3 resultadosAcima da Verdade EstĂŁo os Deuses
Acima da verdade estĂŁo os deuses.
A nossa ciĂȘncia Ă© uma falhada cĂłpia
Da certeza com que eles
Sabem que hĂĄ o Universo.Tudo Ă© tudo, e mais alto estĂŁo os deuses,
NĂŁo pertence Ă ciĂȘncia conhecĂȘ-los,
Mas adorar devemos
Seus vultos como Ă s flores,Porque visĂveis Ă nossa alta vista,
SĂŁo tĂŁo reais como reais as flores
E no seu calmo Olimpo
SĂŁo outra Natureza.
Tirem-me os Deuses o Amor, GlĂłria e Riqueza
Tirem-me os deuses
Em seu arbĂtrio
Superior e urdido Ă s escondidas
O Amor, glĂłria e riqueza.Tirem, mas deixem-me,
Deixem-me apenas
A consciĂȘncia lĂșcida e solene
Das coisas e dos seres.Pouco me importa
Amor ou glĂłria,
A riqueza Ă© um metal, a glĂłria Ă© um eco
E o amor uma sombra.Mas a concisa
Atenção dada
Ăs formas e Ă s maneiras dos objetos
Tem abrigo seguro.Seus fundamentos
SĂŁo todo o mundo,
Seu amor Ă© o plĂĄcido Universo,
Sua riqueza a vida.A sua glĂłria
Ă a suprema
Certeza da solene e clara posse
Das formas dos objetos.O resto passa,
E teme a morte.
SĂł nada teme ou sofre a visĂŁo clara
E inĂștil do Universo.Essa a si basta,
Nada deseja
Salvo o orgulho de ver sempre claro
Até deixar de ver.