Poemas sobre Certeza de Ricardo Reis

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Poemas de certeza de Ricardo Reis. Leia este e outros poemas de Ricardo Reis em Poetris.

Certeza Única Ă© o Mal Presente

Pois que nada que dure, ou que, durando,
Valha, neste confuso mundo obramos,
E o mesmo Ăștil para nĂłs perdemos
Conosco, cedo, cedo.

O prazer do momento anteponhamos
À absurda cura do futuro, cuja
Certeza Ășnica Ă© o mal presente
Com que o seu bem compramos.

AmanhĂŁ nĂŁo existe. Meu somente
É o momento, eu só quem existe
Neste instante, que pode o derradeiro
Ser de quem finjo ser?

Acima da Verdade EstĂŁo os Deuses

Acima da verdade estĂŁo os deuses.
A nossa ciĂȘncia Ă© uma falhada cĂłpia
Da certeza com que eles
Sabem que hĂĄ o Universo.

Tudo Ă© tudo, e mais alto estĂŁo os deuses,
NĂŁo pertence Ă  ciĂȘncia conhecĂȘ-los,
Mas adorar devemos
Seus vultos como Ă s flores,

Porque visĂ­veis Ă  nossa alta vista,
SĂŁo tĂŁo reais como reais as flores
E no seu calmo Olimpo
SĂŁo outra Natureza.

Tirem-me os Deuses o Amor, GlĂłria e Riqueza

Tirem-me os deuses
Em seu arbĂ­trio
Superior e urdido Ă s escondidas
O Amor, glĂłria e riqueza.

Tirem, mas deixem-me,
Deixem-me apenas
A consciĂȘncia lĂșcida e solene
Das coisas e dos seres.

Pouco me importa
Amor ou glĂłria,
A riqueza Ă© um metal, a glĂłria Ă© um eco
E o amor uma sombra.

Mas a concisa
Atenção dada
Às formas e às maneiras dos objetos
Tem abrigo seguro.

Seus fundamentos
SĂŁo todo o mundo,
Seu amor Ă© o plĂĄcido Universo,
Sua riqueza a vida.

A sua glĂłria
É a suprema
Certeza da solene e clara posse
Das formas dos objetos.

O resto passa,
E teme a morte.
SĂł nada teme ou sofre a visĂŁo clara
E inĂștil do Universo.

Essa a si basta,
Nada deseja
Salvo o orgulho de ver sempre claro
Até deixar de ver.