Desejo Indomável
Como corre a gazela
pela sombra dos bosques,
enlouquecida pelo prĂłprio perfume,
assim corro eu, enlouquecido,
nesta noite do coração de maio
aquecida pela brisa do Sul.Perdi o caminho
e erro ao acaso.
Quero o que nĂŁo tenho,
e tenho o que nĂŁo quero.A imagem do meu prĂłprio desejo
sai do meu coração
e, dançando diante de mim,
cintila uma e outra vez,
subitamente.Quero agarrá-la, mas escapa-se.
E, já longe, chama-me outra vez
do atalho …
Quero o que nĂŁo tenho
e tenho o que não quero.Tradução de Manuel Simões
Poemas sobre Coração de Rabindranath Tagore
6 resultadosÀ Espera do Amado Desconhecido
Quem Ă© esta mulher,
a sempre triste,
que vive no meu coração?
Quis conquistá-la mas não consegui.Adornei-a com grinaldas
e cantei em seu louvor…
Por um momento
bailou o sorriso no seu rosto,
mas logo se desvaneceu.E disse-me cheia de pena:
— A minha alegria não está em ti.Comprei-lhe argolas preciosas,
abanei-a
com leques recamados de diamantes,
deitei-a em cama de oiro …
Bateu as pálpebras
como um relâmpago de alegria
que logo se apagou.E disse-me cheia de pena:
— Não está nessas coisas a minha alegria.Sentei-a num carro de triunfo,
e passeei-a por toda a terra.
Milhares de corações conquistados
caĂram humildes a seus pĂ©s,
e as aclamações reboaram pelo cĂ©u…
Durante um momento
brilhou o orgulho nos seus olhos,
mas logo se desfez em lágrimas.E disse cheia de pena:
— Não está na vitória a minha alegria..Perguntei-lhe:
— Que queres então?
Respondeu-me:
— Espero alguém
que nĂŁo sei como se chama.
Amor PacĂfico e Fecundo
NĂŁo quero amor
que nĂŁo saiba dominar-se,
desse, como vinho espumante,
que parte o copo e se entorna,
perdido num instante.Dá-me esse amor fresco e puro
como a tua chuva,
que abençoa a terra sequiosa,
e enche as talhas do lar.
Amor que penetre até ao centro da vida,
e dali se estenda como seiva invisĂvel,
até aos ramos da árvore da existência,
e faça nascer
as flores e os frutos.
Dá-me esse amor
que conserva tranquilo o coração,
na plenitude da paz!Tradução de Manuel Simões
Cântico da Esperança
Não peça eu nunca
para me ver livre de perigos,
mas coragem para afrontá-los.Não queira eu
que se apaguem as minhas dores,
mas que saiba dominá-las
no meu coração.Não procure eu amigos
no campo da batalha da vida,
mas ter forças dentro de mim.Não deseje eu ansiosamente
ser salvo,
mas ter esperança
para conquistar pacientemente
a minha liberdade.NĂŁo seja eu tĂŁo cobarde, Senhor,
que deseje a tua misericĂłrdia
no meu triunfo,
mas apertar a tua mĂŁo
no meu fracasso!Tradução de Manuel Simões
Ă€ Espera do Amado
Disse-me baixinho:
— Meu amor, olha-me nos olhos.
Ralhei-lhe, duramente, e disse-lhe:
— Vai-te embora.
Mas ele nĂŁo foi.
Chegou ao pĂ© de mim e agarrou-me as mĂŁos…
Eu disse-lhe:
— Deixa-me.
Mas ele nĂŁo deixou.Encostou a cara ao meu ouvido.
Afastei-me um pouco,
fiquei a olhá-lo e disse-lhe:
— Não tens vergonha? Nem se moveu.
Os seus lábios roçaram a minha face.
Estremeci e disse-lhe:
— Como te atreves?
Mas ele nĂŁo se envergonhou.Prendeu-me uma flor no cabelo.
Eu disse-lhe:
— É inútil.
Mas ele nĂŁo fez caso.
Tirou-me a grinalda do pescoço
e abalou.
Continuo a chorar,
e pergunto ao meu coração:
Porque é que ele não volta?Tradução de Manuel Simões
A Mulher Inspiradora
Mulher, nĂŁo Ă©s sĂł obra de Deus;
os homens vĂŁo-te criando eternamente
com a formosura dos seus corações,
e os seus anseios
vestiram de glĂłria a tua juventude.Por ti o poeta vai tecendo
a sua imaginária tela de oiro:
o pintor dá às tuas formas,
dia apĂłs dia,
nova imortalidade.Para te adornar, para te vestir,
para tornar-te mais preciosa,
o mar traz as suas pérolas,
a terra o seu oiro,
sua flor os jardins do VerĂŁo.Mulher, Ă©s meio mulher,
meio sonho.Tradução de Manuel Simões