Poemas sobre Dados de Alberto Caeiro

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Poemas de dados de Alberto Caeiro. Leia este e outros poemas de Alberto Caeiro em Poetris.

Aceita o Universo

Aceita o universo
Como to deram os deuses.
Se os deuses te quisessem dar outro
Ter-to-iam dado.

Se hå outras matérias e outros mundos
Haja.

Meto-me para Dentro

Meto-me para dentro, e fecho a janela.
Trazem o candeeiro e dĂŁo as boas noites,
E a minha voz contente dĂĄ as boas noites.
OxalĂĄ a minha vida seja sempre isto:
O dia cheio de sol, ou suave de chuva,
Ou tempestuoso como se acabasse o Mundo,
A tarde suave e os ranchos que passam
Fitados com interesse da janela,
O Ășltimo olhar amigo dado ao sossego das ĂĄrvores,
E depois, fechada a janela, o candeeiro aceso,
Sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir,
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito.
E lĂĄ fora um grande silĂȘncio como um deus que dorme.

Ser Real quer Dizer nĂŁo Estar Dentro de Mim

Seja o que for que esteja no centro do Mundo,
Deu-me o mundo exterior por exemplo de Realidade,
E quando digo «isto é real», mesmo de um sentimento,
Vejo-o sem querer em um espaço qualquer exterior,
Vejo-o com uma visĂŁo qualquer fora e alheio a mim.

Ser real quer dizer nĂŁo estar dentro de mim.
Da minha pessoa de dentro não tenho noção de realidade.
Sei que o Mundo existe, mas nĂŁo sei se existo.
Estou mais certo da existĂȘncia da minha casa branca
Do que da existĂȘncia interior do dono da casa branca.
Creio mais no meu corpo do que na minha alma,
Porque o meu Corpo apresenta-se no meio da realidade.
Podendo ser visto por outros,
Podendo tocar em outros,
Podendo sentar-se e estar de pé,

Mas a minha alma sĂł pode ser definida por termos de fora.
Exista para mim — nos momentos em que julgo que efectivamente existe —
Por um empréstimo da realidade exterior do Mundo.

Se a alma Ă© mais real
Que o mundo exterior, como tu, filĂłsofo, dizes,
Para que Ă© que o mundo exterior me foi dado como tipo da realidade?

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