As mãos pressentem…
As mãos pressentem a leveza rubra do lume
repetem gestos semelhantes a corolas de flores
voos de pássaro ferido no marulho da alba
ou ficam assim azuis
queimadas pela secular idade desta luz
encalhada como um barco nos confins do olharergues de novo as cansadas e sábias mãos
tocas o vazio de muitos dias sem desejo e
o amargor húmido das noites e tanta ignorância
tanto ouro sonhado sobre a pele tanta treva
quase nada
Poemas sobre Desejos de Al Berto
2 resultados Poemas de desejos de Al Berto. Leia este e outros poemas de Al Berto em Poetris.
Visita-me Enquanto não Envelheço
visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidadotenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadoresver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhosantes que desperte em mim o grito
dalguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouroperco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável águacom teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te