Musa dos Olhos Verdes
Musa dos olhos verdes, musa alada,
à divina esperança,
Consolo do anciĂŁo no extremo alento,
E sonho da criança;Tu que junto do berço o infante cinges
Câos fĂșlgidos cabelos;
Tu que transformas em dourados sonhos
Sombrios pesadelos;Tu que fazes pulsar o seio Ă s virgens;
Tu que Ă s mĂŁes carinhosas
Enches o brando, tépido regaço
Com delicadas rosas;Casta filha do céu, virgem formosa
Do eterno devaneio,
SĂȘ minha amante, os beijos meus recebe,
Acolhe-me em teu seio!JĂĄ cansada de encher lĂąnguidas flores
Com as lĂĄgrimas frias,
A noite vĂȘ surgir do oriente a aurora
Dourando as serranias.Asas batendo Ă luz que as trevas rompe,
Piam noturnas aves,
E a floresta interrompe alegremente
Os seus silĂȘncios graves.Dentro de mim, a noite escura e fria
MelancĂłlica chora;
Rompe estas sombras que o meu ser povoam;
Musa, sĂȘ tu a aurora!
Poemas sobre Extremos de Machado de Assis
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FĂ©
As oraçÔes dos homens
Subam eternamente aos teus ouvidos;
Eternamente aos teus ouvidos soem
Os cĂąnticos da terra.No turvo mar da vida,
Onde aos parcéis do crime a alma naufraga,
A derradeira bĂșssola nos seja,
Senhor, tua palavra.A melhor segurança
Da nossa Ăntima paz, Senhor, Ă© esta;
Esta a luz que hĂĄ de abrir Ă estĂąncia eterna
O fulgido caminho.Ah ! feliz o que pode,
No extremo adeus Ă s cousas deste mundo,
Quando a alma, despida de vaidade,
VĂȘ quanto vale a terra;Quando das glĂłrias frias
Que o tempo dĂĄ e o mesmo tempo some,
Despida jĂĄ, â os olhos moribundos
Volta Ă s eternas glĂłrias;Feliz o que nos lĂĄbios,
No coração, na mente pÔe teu nome,
E sĂł por ele cuida entrar cantando
No seio do infinito.