Nada Fica de Nada
Nada fica de nada. Nada somos.
Um pouco ao sol e ao ar nos atrasamos
Da irrespirável treva que nos pese
Da humilde terra imposta,
Cadáveres adiados que procriam.Leis feitas, estátuas vistas, odes findas —
Tudo tem cova sua. Se nĂłs, carnes
A que um Ăntimo sol dá sangue, temos
Poente, por que nĂŁo elas?
Somos contos contando contos, nada.
Poemas sobre Leis de Ricardo Reis
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Quanto Ă© Alto e RĂ©gio o Pensamento
Ponho na altiva mente o fixo esforço
Da altura, e Ă sorte deixo,
E as suas leis, o verso;Que, quanto é alto e régio o pensamento,
SĂşbita a frase o busca
E o ‘scravo ritmo o serve.
Quem nos Conhece, Amigo, tais quais Fomos?
Nem da erva humilde se o Destino esquece.
Saiba a lei o que vive.
De sua natureza murcham rosas
E prazeres se acabam.
Quem nos conhece, amigo, tais quais fomos?
Nem nĂłs os conhecemos.
QuĂŁo Breve Tempo Ă© a Mais Longa Vida
QuĂŁo breve tempo Ă© a mais longa vida
E a juventude nela! Ah!, Cloe, Cloe,
Se nĂŁo amo nem bebo,
Nem sem querer nĂŁo penso,
Pesa-me a lei inimplorável, dói-me
A hora invicta, o tempo que nĂŁo cessa,
E aos ouvidos me sobe
Dos juncos o ruĂdo
Na oculta margem onde os lĂrios frios
Da Ănfera leiva crescem, e a corrente
NĂŁo sabe onde Ă© o dia,
Sussurro gemebundo.