SilĂȘncio, Nostalgia…
SilĂȘncio, nostalgia…
Hora morta, desfolhada,
sem dor, sem alegria,
pelo tempo abandonada.Luz de Outono, fria, fria…
Hora inĂștil e sombria
de abandono.
Não sei se é tédio, sono,
silĂȘncio ou nostalgia.InterminĂĄvel dia
de indizĂveis cansaços,
de funda melancolia.
Sem rumo para os meus passos,
para que servem meus braços,
nesta hora fria, fria?
Poemas sobre Luz de Fernanda de Castro
3 resultadosMeditação
Ăs vezes, quando a noite vem caindo,
Tranquilamente, sossegadamente,
Encosto-me Ă janela e vou seguindo
A curva melancĂłlica do Poente.NĂŁo quero a luz acesa. Na penumbra,
Pensa-se mais e pensa-se melhor.
A luz magoa os olhos e deslumbra,
E eu quero ver em mim, Ăł meu amor!Para fazer exame de consciĂȘncia
Quero silĂȘncio, paz, recolhimento
Pois sĂł assim, durante a tua ausĂȘncia,
Consigo libertar o pensamento.Procuro entĂŁo aniquilar em mim,
A nefasta influĂȘncia que domina
Os meus nervos cansados; mas por fim,
Reconheço que amar-te é minha sina.Longe de ti atrevo-me a pensar
Nesse estranho rigor que me acorrenta:
E tenho a sensação do alto mar,
Numa noite selvagem de tormenta.Tens no olhar magias de profeta
Que sabe ler no cĂ©u, no mar, nas brasas…
Adivinhas… Serei a borboleta
Que vendo a luz deixa queimar as asas.No entanto â vĂȘ lĂĄ tu!â Eu nĂŁo lamento
Esta vontade que se impĂ”e Ă minha…
Nem me revolto… cedo ao encantamento…
â Escrava que nĂŁo soube ser Rainha!
Os Anos sĂŁo Degraus
Os anos sĂŁo degraus, a Vida a escada.
Longa ou curta, sĂł Deus pode medi-la.
E a Porta, a grande Porta desejada,
sĂł Deus pode fechĂĄ-la,
pode abri-la.SĂŁo vĂĄrios os degraus; alguns sombrios,
outros ao sol, na plena luz dos astros,
com asas de anjos, harpas celestiais.
Alguns, quilhas e mastros
nas mĂŁos dos vendavais.Mas tudo sĂŁo degraus; tudo Ă© fugir
à humana condição.
Degrau apĂłs degrau,
tudo Ă© lenta ascensĂŁo.Senhor, como Ă© possĂvel a descrença,
imaginar, sequer, que ao fim da Estrada,
se encontre apĂłs esta ansiedade imensa
uma porta fechada
e mais nada?