O amor
MOTE
Amor Ă© chama que mata,
Sorriso que desfalece,
Madeixa que desata,
Perfume que esvaece.(popular)
GLOSAS
Amor Ă© chama que mata,
Dizem todos com razĂŁo,
É mal do coração
E com ele se endoidece.
O amor Ă© um sorriso
Sorriso que desfalece.Madeixa que se desata
Denominam-no também.
O amor nĂŁo Ă© um bem:
Quem ama sempre padece.
O amor Ă© um perfume
Perfume que se esvaece.
Poemas sobre Mal de Mário de Sá-Carneiro
3 resultadosSerradura
A minha vida sentou-se
E não há quem a levante,
Que desde o Poente ao Levante
A minha vida fartou-se.E ei-la, a mona, lá está,
Estendida, a perna traçada,
No infindável sofá
Da minha Alma estofada.Pois Ă© assim: a minha Alma
Outrora a sonhar de RĂşssias,
Espapaçou-se de calma,
E hoje sonha só pelúcias.Vai aos Cafés, pede um bock,
LĂŞ o “Matin” de castigo,
E não há nenhum remoque
Que a regresse ao Oiro antigo:Dentro de mim Ă© um fardo
Que não pesa, mas que maça:
O zumbido dum moscardo,
Ou comichĂŁo que nĂŁo passa.Folhetim da “Capital”
Pelo nosso JĂşlio Dantas –
Ou qualquer coisa entre tantas
Duma antipatia igual…O raio já bebe vinho,
Coisa que nunca fazia,
E fuma o seu cigarrinho
Em plena burocracia!…Qualquer dia, pela certa,
Quando eu mal me precate,
É capaz dum disparate,
Se encontra a porta aberta…Isto assim nĂŁo pode ser…
Mas como achar um remédio?
O Lord
Lord que eu fui de EscĂłcias doutra vida
Hoje arrasta por esta a sua decadĂŞncia,
Sem brilho e equipagens.
Milord reduzido a viver de imagens,
Pára às montras de jóias de opulência
Num desejo brumoso – em dĂşvida iludida…
(- Por isso a minha raiva mal contida,
– Por isso a minha eterna impaciĂŞncia.)Olha as Praças, rodeia-as…
Quem sabe se ele outrora
Teve Praças, como esta, e palácios e colunas –
Longas terras, quintas cheias,
Iates pelo mar fora,
Montanhas e lagos, florestas e dunas…(- Por isso a sensação em mim fincada há tanto
Dum grande patrimĂłnio algures haver perdido;
Por isso o meu desejo astral de luxo desmedido –
E a Cor na minha Obra o que ficou do encanto…)