Ninguém me Venha Dar Vida
Ninguém me venha dar vida,
que estou morrendo de amor,
que estou feliz de morrer,
que nĂŁo tenho mal nem dor,
que estou de sonho ferida,
que nĂŁo me quero curar,
que estou deixando de ser
e nĂŁo me quero encontrar,
que estou dentro de um navio
que sei que vai naufragar,
já não falo e ainda sorrio,
porque está perto de mim
o dono verde do mar
que busquei desde o começo,
e estava apenas no fim.Corações, por que chorais?
Preparai meu arremesso
para as algas e os corais.Fim ditoso, hora feliz:
guardai meu amor sem preço,
que sĂł quis a quem nĂŁo quis.
Poemas sobre Navios de CecĂlia Meireles
3 resultados Poemas de navios de CecĂlia Meireles. Leia este e outros poemas de CecĂlia Meireles em Poetris.
Canção
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
— depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.Minhas mĂŁos ainda estĂŁo molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…
Prazo de Vida
No meio do mundo faz frio,
faz frio no meio do mundo,
muito frio.Mandei armar o meu navio.
Volveremos ao mar profundo,
meu navio!No meio das águas faz frio.
Faz frio no meio das águas,
muito frio.Marinheiro serei sombrio,
por minha provisão de mágoas.
TĂŁo sombrio!No meio da vida faz frio,
faz frio no meio da vida.
Muito frio.O universo ficou vazio,
porque a mĂŁo do amor foi partida
no vazio.