Poemas sobre Ovelhas de Alberto Caeiro

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Poemas de ovelhas de Alberto Caeiro. Leia este e outros poemas de Alberto Caeiro em Poetris.

Pastor do Monte, TĂŁo Longe de Mim

Pastor do monte, tĂŁo longe de mim com as tuas ovelhas
Que felicidade é essa que pareces ter — a tua ou a minha?
A paz que sinto quando te vejo, pertence-me, ou pertence-te?
NĂŁo, nem a ti nem a mim, pastor.
Pertence sĂł Ă  felicidade e Ă  paz.
Nem tu a tens, porque nĂŁo sabes que a tens.
Nem eu a tenho, porque sei que a tenho.
Ela Ă© ela sĂł, e cai sobre nĂłs como o sol,
Que te bate nas costas e te aquece, e tu pensas
noutra cousa indiferentemente,
E me bate na cara e me ofusca. e eu sĂł penso no sol.

Ninguém o Tinha Amado, Afinal

O pastor amoroso perdeu o cajado,
E as ovelhas tresmalharam-se pela encosta,
E de tanto pensar, nem tocou a flauta que trouxe pira tocar.
Ninguém lhe apareceu ou desapareceu.
Nunca mais encontrou o cajado.
Outros, praguejando contra ele, recolheram-lhe as ovelhas.
Ninguém o tinha amado, afinal.
Quando se ergueu da encosta e da verdade falsa, viu tudo:
Os grandes vales cheios dos mesmos verdes de sempre,
As grandes montanhas longe, mais reais que qualquer sentimento,
A realidade toda, com o céu e o ar e os campos que existem,
estĂŁo presentes.
(E de novo o ar, que lhe faltara tanto tempo, lhe entrou fresco
nos pulmões)
E sentiu que de novo o ar lhe abria, mas com dor,
uma liberdade
no peito.