A Senhora de Brabante
Tem um leque de plumas gloriosas,
na sua mĂŁo macia e cintilante,
de anéis de pedras finas preciosas
a Senhora Duquesa de Brabante.Numa cadeira de espaldar dourado,
Escuta os galanteios dos barÔes.
â Ă noite: e, sob o azul morno e calado,
concebem os jasmins e os coraçÔes.Recorda o senhor Bispo acçÔes passadas.
Falam damas de jĂłias e cetins.
Tratam barÔes de festas e caçadas
Ă moda goda: â aos toques dos clarins!Mas a Duquesa Ă© triste. â Oculta mĂĄgoa
vela seu rosto de um solene véu.
â Ao luar, sobre os tanques chora a ĂĄgua…
â Cantando, os rouxinĂłis lembram o cĂ©u…Dizem as lendas que SatĂŁ vestido
de uma armadura feita de um brilhante,
ousou falar do seu amor florido
Ă Senhora Duquesa de Brabante.Dizem que o ouviram ao luar nas ĂĄguas,
mais louro do que o sol, marmĂłreo, e lindo,
tirar de uma viola estranhas mĂĄgoas,
pelas noites que os cravos vĂȘm abrindo…Dizem mais que na seda das varetas
do seu leque ducal de mil matizes…
Poemas sobre PeÔes
3 resultadosOs Grandes Indiferentes
Ouvi contar que outrora, quando a PĂ©rsia
Tinha nĂŁo sei qual guerra,
Quando a invasĂŁo ardia na cidade
E as mulheres gritavam,
Dois jogadores de xadrez jogavam
O seu jogo contĂnuo.Ă sombra de ampla ĂĄrvore fitavam
O tabuleiro antigo,
E, ao lado de cada um, esperando os seus
Momentos mais folgados,
Quando havia movido a pedra, e agora
Esperava o adversĂĄrio.
Um pĂșcaro com vinho refrescava
Sobriamente a sua sede.Ardiam casas, saqueadas eram
As arcas e as paredes,
Violadas, as mulheres eram postas
Contra os muros caĂdos,
Traspassadas de lanças, as crianças
Eram sangue nas ruas…
Mas onde estavam, perto da cidade,
E longe do seu ruĂdo,
Os jogadores de xadrez jogavam
O jogo de xadrez.Inda que nas mensagens do ermo vento
Lhes viessem os gritos,
E, ao refletir, soubessem desde a alma
Que por certo as mulheres
E as tenras filhas violadas eram
Nessa distĂąncia prĂłxima,
Inda que, no momento que o pensavam,
Uma sombra ligeira
Lhes passasse na fronte alheada e vaga,
Faz Tempo que Aportei Aqui
Faz tempo que aportei aqui,
nesta vida gorda, de algibeira rasa.
PeĂŁo de sonhos, pastor de auroras,
os reinos conquistados foram meus.
Vesti-me de certeza, de ousadias,
fui peregrino silente entre silĂȘncios.
Meus cantares ecoaram nas planĂcies,
vibraram meus acenos noutros céus.
Se as tardes floresciam nos vergéis,
luzes ali ardentes se acendiam.
JĂĄ distante, embora,
este sol radiante
sucumbe, agora,
ao punhal do tempo.