O Mar Ă© Longe, mas Somos NĂłs o Vento
O mar Ă© longe, mas somos nĂłs o vento;
e a lembrança que tira, até ser ele,
Ă© doutro e mesmo, Ă© ar da tua boca
onde o silĂȘncio pasce e a noite aceita.
Donde estås, que névoa me perturba
mais que nĂŁo ver os olhos da manhĂŁ
com que tu mesma a vĂȘs e te convĂ©m?
Cabelos, dedos, sal e a longa pele,
onde se escondem a tua vida os dĂĄ;
e Ă© com mĂŁos solenes, fugitivas,
que te recolho viva e me concedo
a hora em que as ondas se confundem
e nada é necessårio ao pé do mar.
Poemas sobre PĂ©s de Pedro Tamen
2 resultadosAmar-te Ă© Vir de Longe
Amar-te Ă© vir de longe,
descer o rio verde atrĂĄs de ti,
abrir os braços longos desde os sete
anos sob a latada ao pé do largo,
guardar o cheiro a figos vistos lĂĄ,
a olho nu, ao pé, ao pé de ti,
parar a beber ĂĄgua numa fonte,
um acaso perdido no caminho
onde os vimes me roçam a memória
e te anunciam mĂŁos e te perfazem;
como se o sino Ă hora de tocar
jĂĄ fosse o tempo todo badalado,
e a tua boca se abrisse atrĂĄs do tojo,
e abaixo dos calçÔes as pernas nuas
se rasgassem sĂł para o pequeno sangue,
tal o pequeno preço que me pedes.
AtrĂĄs da curva estavas, Ă©s, serias,
nos muros de granito, nas amoras.
Amar-te era lembrança e profecias,
uma porta jĂĄ feita para abrir,
e encontrar o lar ou mĂșsica lavada
onde, se nasces, vives, duras, moras
â meu nome exacto e pĂŁo
no chĂŁo das alegrias.