Poemas sobre Profundos de Francisco Bugalho

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Poemas de profundos de Francisco Bugalho. Leia este e outros poemas de Francisco Bugalho em Poetris.

Chuva

Chuva, caindo tĂŁo mansa,
Na paisagem do momento,
Trazes mais esta lembrança
De profundo isolamento.

Chuva, caindo em silĂȘncio
Na tarde, sem claridade…
A meu sonhar d’hoje, vence-o
Uma infinita saudade.

Chuva, caindo tĂŁo mansa,
Em branda serenidade.
Hoje minh’alma descansa.
— Que perfeita intimidade!…

Caminhos

Para quĂȘ, caminhos do mundo,
Me atraís? — Se eu sei bem já
Que voltarei donde parto,
Por qualquer lado que vĂĄ.

Pra quĂȘ? — Se a Terra Ă© redonda;
E, sempre, tem de cumprir-se
A sina daquela onda
Que parece vai sumir-se,

Mas que volta, bem mais débil,
Ao meio do lago, onde
A mĂŁe, gota d’ĂĄgua flĂ©bil,
HĂĄ muito tempo se esconde.

Pra quĂȘ? — Se a folha viçosa
Na Primavera, feliz,
AmanhĂŁ serĂĄ, gostosa,
Alimento da raiz.

Pra quĂȘ, caminhos do mundo?
Pra quĂȘ, andanças sem Fim?
Se todo o sonho profundo
Deste Mundo e do Outro-Mundo,
NĂŁo ‘stĂĄ neles, mas em mim.

SolidĂŁo

Vago aroma de esteva, ao mesmo tempo ardente e virgem,
E este murmĂșrio doce da folhagem,
SĂŁo o falar do mato, na estiagem,
Segredando os mistérios da origem.

Calma profunda, doce, resignada…
A vida nĂŁo Ă© mais do que o viver
Da paisagem nostĂĄlgica e pasmada.

A solidĂŁo tem dedos de veludo,
De frementes afagos delicados.
— Bendita solidão, que beijas tudo,
Onde andarĂŁo meus sonhos desvairados?!…

Nestes montados, Que purificação me invade a alma!
Como entra, em mim, toda a serenidade
Dos ermitÔes, orando na paisagem!

Nesta paisagem,
Calma, calma, calma,
Como a Eternidade.