Chuva
Chuva, caindo tĂŁo mansa,
Na paisagem do momento,
Trazes mais esta lembrança
De profundo isolamento.Chuva, caindo em silĂȘncio
Na tarde, sem claridade…
A meu sonhar d’hoje, vence-o
Uma infinita saudade.Chuva, caindo tĂŁo mansa,
Em branda serenidade.
Hoje minh’alma descansa.
â Que perfeita intimidade!…
Poemas sobre Profundos de Francisco Bugalho
3 resultadosCaminhos
Para quĂȘ, caminhos do mundo,
Me atraĂs? â Se eu sei bem jĂĄ
Que voltarei donde parto,
Por qualquer lado que vĂĄ.Pra quĂȘ? â Se a Terra Ă© redonda;
E, sempre, tem de cumprir-se
A sina daquela onda
Que parece vai sumir-se,Mas que volta, bem mais débil,
Ao meio do lago, onde
A mĂŁe, gota d’ĂĄgua flĂ©bil,
HĂĄ muito tempo se esconde.Pra quĂȘ? â Se a folha viçosa
Na Primavera, feliz,
AmanhĂŁ serĂĄ, gostosa,
Alimento da raiz.Pra quĂȘ, caminhos do mundo?
Pra quĂȘ, andanças sem Fim?
Se todo o sonho profundo
Deste Mundo e do Outro-Mundo,
NĂŁo ‘stĂĄ neles, mas em mim.
SolidĂŁo
Vago aroma de esteva, ao mesmo tempo ardente e virgem,
E este murmĂșrio doce da folhagem,
SĂŁo o falar do mato, na estiagem,
Segredando os mistĂ©rios da origem.Calma profunda, doce, resignada…
A vida nĂŁo Ă© mais do que o viver
Da paisagem nostĂĄlgica e pasmada.A solidĂŁo tem dedos de veludo,
De frementes afagos delicados.
â Bendita solidĂŁo, que beijas tudo,
Onde andarĂŁo meus sonhos desvairados?!…Nestes montados, Que purificação me invade a alma!
Como entra, em mim, toda a serenidade
Dos ermitÔes, orando na paisagem!Nesta paisagem,
Calma, calma, calma,
Como a Eternidade.