Poemas sobre ResistĂȘncia

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Poemas de resistĂȘncia escritos por poetas consagrados, filĂłsofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

Briga

Brigar Ă© simples.
Chame-se covarde ao contendor.
Ele olhe nos olhos e:
— Repete.
Repita-se: — Covarde.
EntĂŁo ele recite, resoluto:
— Puta que pariu.
— A sua, fio da puta.

Cessem as palavras. BofetĂŁo.
Articulem-se os dois no braço a braço.
Soco de lĂĄ soco de cĂĄ
pontapé calço rasteira
unha, dente, sérios, aplicados
na honra de lutar:
um corpo sĂł de dois que se embolaram.

Dure o tempo que durar
a resistĂȘncia de um.
NĂŁo desdoura apanhar, mas que se cumpra
a lei da briga, simples.

VĂ­rgula

Eu menino Ă s onze horas e trinta minutos
a procurar o dia em que nĂŁo te fale
feito de resistĂȘncias e ameaças — Este mundo
compreende tanto no meio em que vive
tanto no que devemos pensar.

A experiĂȘncia o contrĂĄrio da raiz originĂĄria aliĂĄs
demasiado formal para que se possa acreditar
no mais rigoroso sentido da palavra.

Tanta metafĂ­sica eu e tu
que jĂĄ nĂŁo acreditamos como antes
diferentes daquilo que entendem os filĂłsofos
— constitui uma realidade
que nĂŁo consegue dominar (nem ele prĂłprio)
as forças primitivas
quando jĂĄ se tem pretendido ordens Ă  vida humana
em conflito com outras surge agora
a necessidade dos OĂĄsis Perdidos.

E vistas assim as coisas fragmentariamente Ă© certo
e a custo na imensidĂŁo da desordem
a que terĂŁo de ser constantemente arrancadas
— sĂŁo da mĂĄxima importĂąncia as Velhas ConcepçÔes pois
a cada momento corremos grandes riscos
desconcertantes e de sinistra estranheza.

Resulta isto dum olhar rĂĄpido sobre a cidade desconhecida.
E abstraindo dos versos que neste poema se referem ao mundo humano
vemos que ninguém até hoje se apossou do homem
como o frågil véu que nos separa vedados e proibidos.

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Seleccionei para Ti

Seleccionei para ti
esta manhĂŁ de setembro
Ă  margem dela
trabalho
para que
em canto e glĂłria
sejas o centro unitĂĄrio
no corpo dessa elegia
relacionei coisas miĂșdas
que possam complementar
o equilĂ­brio das formas
que te transitam eleita
na exaltação de meu sonho
e dentro desse equilĂ­brio
um nĂșcleo de resistĂȘncia
feito uma flor
uma fonte
que se iluminam feridas
de uma incidĂȘncia de luz
o pouso breve de um pĂĄssaro
que em vigilĂąncia
nos olhos
preserva o voo completo
a mĂșsica radical
do teu contexto moreno
a fala que nĂŁo se escuta
na fundação dos abraços
evocação do momento
que defrontou
por acaso
a minha
e a tua vida
erguido o painel de espaço
Ă©s madrugada no dia
e retomada no tempo
Ă©s unidade centrada
compondo a mesma harmonia
assim usei tua ausĂȘncia
num pressuposto de esquema
buscando tua presença
sobre alicerces de um poema

Aqui Mereço-te

O sabor do pĂŁo e da terra
e uma luva de orvalho na mĂŁo ligeira.
A flor fresca que respiro Ă© branca.
E corto o ar como um pĂŁo enquanto caminho entre searas.
Pertenço em cada movimento a esta terra.
O meu suor tem o gosto das ervas e das pedras.
Sorvo o silĂȘncio visivel entre as ĂĄrvores.
É aqui e agora o dilatado abraço das raízes claras do sono.
Sob as pĂĄlpebras transparentes deste dia
o ar Ă© o suspiro dos prĂłprios lĂĄbios.
Amar aqui Ă© amar no mar,
mas com a resistĂȘncia das paredes da terra.

A mĂŁo flui liberta tĂŁo livre como o olhar.
Aqui posso estar seguro e leve no silĂȘncio
entre calmas formas, matérias densas, raízes lentas,
ao fogo esparso que alastra ao horizonte.
No meu corpo acende-se uma pequena lĂąmpada.
Tudo o que eu disser sĂŁo os lĂĄbios da terra,
o leve martelar das lĂ­nguas de ĂĄgua,
as feridas da seiva, o estalar das crostas,
o murmĂșrio do ar e do fogo sobre a terra,
o incessante alimento que percorre o meu corpo.

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