Pedra de Canto
Ainda terĂĄs alento e pedra de canto,
Mito de PĂ©gaso, patada de sangue da mentira,
Para cantar em sĂlabas ĂĄsperas o canto,
De rima em -anto, o pranto,
O amor, o apego, o sossego, a rima interna
Das almas calmas, isto e aquilo, o canto
Do pranto em pedra aparelhada a corpo e escopro,
O estupro de outrora, a triste vida dela, o canto,
Buraco onde te metes, duplamente: com falo,
Falas, fĂĄ-la chorar e ganir, com falo o canto
No buraco de grilo onde anoiteces,
No buraco de falso eremita onde conheces
Teu nada, o dela, o buraco dela, o canto
De pedra, sim, canteiro por cantares e aparelhares
Com ela em rua e cama o falo fĂĄ-la cheia,
Canteiro porque o falo a julga flores, o canto
Ăspero do canteiro de pedra e sĂ©men que tu Ă©s
(No buraco do falo falaste),
Tu, falazĂŁo de amor, que a amas e conheces.
Amas a quem? Conheces quem? Pobre Hipocrene,
Apolo de pataco, CamÔes binocular, poeta de merda,Embora isso em sangue dessa pobre alma em ferida:
A dela,
Poemas sobre SĂlabas de Vitorino NemĂ©sio
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