Nada Tem Sentido
Nos altos ramos de árvores frondosas
O vento faz um rumor frio e alto,
Nesta floresta, em este som me perco
E sozinho medito.Assim no mundo, acima do que sinto,
Um vento faz a vida, e a deixa, e a toma,
E nada tem sentido — nem a alma
Com que penso sozinho.
Poemas sobre Som de Ricardo Reis
5 resultadosNo Magno Dia até os Sons São Claros
No magno dia até os sons são claros.
Pelo repouso do amplo campo tardam.
MĂşrmura, a brisa cala.
Quisera, como os sons, viver das coisas
Mas nĂŁo ser delas, consequĂŞncia alada
Em que o real vai longe.
Vossa Formosa Juventude
Vossa formosa juventude leda,
Vossa felicidade pensativa,
Vosso modo de olhar a quem vos olha,
Vosso não conhecer-vos —Tudo quanto vós sois, que vos semelha
Ă€ vida universal que vos esquece
Dá carinho de amor a quem vos ama
Por serdes nĂŁo lembrandoQuanta igual mocidade a eterna praia
De Cronos, pai injusto da justiça,
Ondas, quebrou, deixando Ă sĂł memĂłria
Um branco som de ‘spuma.
O Deus PĂŁ nĂŁo Morreu
O Deus PĂŁ nĂŁo morreu,
Cada campo que mostra
Aos sorrisos de Apolo
Os peitos nus de Ceres —
Cedo ou tarde vereis
Por lá aparecer
O deus PĂŁ, o imortal.NĂŁo matou outros deuses
O triste deus cristĂŁo.
Cristo Ă© um deus a mais,
Talvez um que faltava.
PĂŁ continua a ciar
Os sons da sua flauta
Aos ouvidos de Ceres
Recumbente nos campos.Os deuses sĂŁo os mesmos,
Sempre claros e calmos,
Cheios de eternidade
E desprezo por nĂłs,
Trazendo o dia e a noite
E as colheitas douradas
Sem ser para nos dar o dia e a noite e o trigo
Mas por outro e divino
PropĂłsito casual.
O Ritmo Antigo que Há em Pés Descalços
O ritmo antigo que há em pés descalços,
Esse ritmo das ninfas repetido,
Quando sob o arvoredo
Batem o som da dança,
VĂłs na alva praia relembrai, fazendo,
Que ‘scura a ‘spuma deixa; vĂłs, infantes,
Que inda nĂŁo tendes cura
De ter cura, responde
Ruidosa a roda, enquanto arqueia Apolo
Como um ramo alto, a curva azul que doura,
E a perene maré
Flui, enchente ou vazante.