Poemas sobre Últimos de Olavo Bilac

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Poemas de Ășltimos de Olavo Bilac. Leia este e outros poemas de Olavo Bilac em Poetris.

LĂ­ngua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela
Amo-se assim, desconhecida e obscura
Tuba de algo clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, Ăł rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que CamÔes chorou, no exílio amargo,
O gĂȘnio sem ventura e o amor sem brilho!

Rei Destronado

O teu lugar vazĂŁo!… E esteve cheio,
Cheio de mocidade e de ternura!
Como brilhava a tua formosura!
Que luz divina te doirava o seio!

Quando a camisa tépida despias,
– Sob o reflexo do cabelo louro,
De pé, na alcova, ardias e fulgias
Como um Ă­dolo de ouro.

Que fundo o fogo do primeiro beijo,
Que eu te arrancava ao lĂĄbio recendente!
Morria o meu desejo… outro desejo
Nascia mais ardente.

Domada a febre, lùnguida, em meus braços
Dormias, sobre os linhos revolvidos,
Inda cheios dos Ășltimos gemidos,
Inda quentes dos Ășltimos abraços…

Tudo quanto eu pedira e ambicionara,
Tudo meus dedos e meus olhos calmos
Gozavam satisfeitos nos seis palmos
De tua carne saborosa e clara:

Reino perdido! glĂłria dissipada
TĂŁo loucamente! A alcova estĂĄ deserta,
Mas inda com o teu cheiro perfumada,
Do teu fulgor coberta…

Surdina

No ar sossegado um sino canta,
Um sino canta no ar sombrio…
PĂĄlida, VĂȘnus se levanta…
Que frio!

Um sino canta. O campanĂĄrio
Longe, entre nĂ©voas, aparece…
Sino, que cantas solitĂĄrio,
Que quer dizer a tua prece?

Que frio! embuçam-se as colinas;
Chora, correndo, a ĂĄgua do rio;
E o céu se cobre de neblinas.
Que frio!

NinguĂ©m… A estrada, ampla e silente,
Sem caminhantes, adormece…
Sino, que cantas docemente,
Que quer dizer a tua prece?

Que medo pĂąnico me aperta
O coração triste e vazio!
Que esperas mais, alma deserta?
Que frio!

JĂĄ tanto amei! jĂĄ sofri tanto!
Olhos, por que inda estais molhados?
Por que Ă© que choro, a ouvir-te o canto,
Sino que dobras a finados?

Trevas, caĂ­! que o dia Ă© morto!
Morre também, sonho erradio!
A morte Ă© o Ășltimo conforto…
Que frio!

Pobres amores, sem destino,
Soltos ao vento, e dizimados!
Inda vos choro… E, como um sino,
Meu coração dobra a finados.

E com que mĂĄgoa o sino canta,

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Baladas RomĂąnticas – Azul…

Lembra-te bem! Azul-celeste
Era essa alcova em que te amei.
O Ășltimo beijo que me deste
Foi nessa alcova que o tomei!
É o firmamento que a reveste
Toda de um cĂĄlido fulgor:
– Um firmamento, em que puseste
Como uma estrela, o teu amor.

Lembras-te? Um dia me disseste:
“Tudo acabou!” E eu exclamei:
“Se vais partir, por que vieste?”
E Ă s tuas plantas me arrastei…
Beijei a fimbria Ă  tua veste,
Gritei de espanto, uivei de dor:
“Quem hĂĄ que te ame e te requeste
Com febre igual ao meu amor?”

Por todo o mal que me fizeste,
Por todo o pranto que chorei,
– Como uma casa em que entra a peste,
Fecha essa casa em que fui rei!
Que nada mais perdure e reste
Desse passado embriagador:
E cubra a sombra de um cipreste
A sepultura deste amor!

Desbote-a o inverno! o estĂŁo a creste!
Abale-a o vento com fragor!
– Desabe a igreja azul-celeste
Em que oficiava o meu amor!