Poemas sobre Vento de José Santiago Naud

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Poemas de vento de José Santiago Naud. Leia este e outros poemas de José Santiago Naud em Poetris.

Romance

Fruto de solidĂŁo
preso Ă  fronde do vento,
lua, tu nos dás
a medida do eterno,
essa altura que jogas
contra o espaço celeste
em nĂłs refere a terra,
que em nossa ânsia integras.
E ao nosso amor integras
tudo o que nĂŁo sofremos,
tudo o que nĂŁo tivemos
e apenas pressentimos,
em tua marcha sentimos
tudo o que nĂŁo teremos
e tudo o que já viveram
corações noutros tempos.
Flanco de solidĂŁo,
maçã casta e sensual
presa ao ramo oscilante
entre a alma e o carnal,
em ti, suprema altura,
os olhos vĂŁo reunindo
as trilhas do abandono
e alguns ecos da infância.

Pata branca de touro
extraviada no azul.

Amor

Dentro da noite,
o som escuro de um monjolo
— pilão como nós chamávamos —
e a azenha mais distante, denunciavam
a clareza do riacho.

A fantástica visão do passado,
memĂłria contando histĂłrias!

Da janela fechada
uma frincha de luz ia incidir
no galho pendido, nĂ­tido aos meus olhos.
E bem na ponta —, seio tentando —
a rĂłsea, a serena forma do pĂŞssego
em sua penugem — puro e obsceno!
Havia vento, (nĂŁo sei)
mas devia haver
quando o urubu, tétrico
e hirto no seu desequilĂ­brio,
pousou sobre a planta
e o fruto bicou,
e o fruto bicou
bem no jacto de luz.