Sonetos sobre Alma de Glauco Mattoso

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Sonetos de alma de Glauco Mattoso. Leia este e outros sonetos de Glauco Mattoso em Poetris.

Soneto 252 Qualitativo

Repito que um Ă© dote, dois Ă© dom,
mas três já é defeito, tenha dó!
Camões fez “Alma minha” e o do JacĂł:
Terceiro Ă© mui difĂ­cil ser tĂŁo bom.

A tanto inda acrescento, alto e bom som:
Falar de sentimento, por si sĂł,
nĂŁo faz de nenhum verso um pĂŁo-de-lĂł,
nem temas de bom tom sĂŁo sĂł bombom.

Fazer soneto Ă s pencas, outrossim,
não dá patente máxima a ninguém,
nem livra alguém do nível do ruim.

Fiquemos no bom senso, que mantém
a média de dois bons, até pra mim,
que, perto de Camões, sou muito aquém.

Soneto 251 Quantitativo

Centenas de sonetos sĂŁo legado
de nomes tidos como monumentos.
Apenas de Camões, mais de duzentos,
registro que Ă© por poucos superado.

NĂŁo fossem os LusĂ­adas o dado
que faz dele o primeiro entre os portentos,
ainda assim Camões marca outros tentos,
e, entre outros tantos, este Ă© consagrado:

“Sete anos de pastor”, o vinte e nove,
que, se nĂŁo for mais belo, Ă© o mais perfeito,
a menos que em contrário alguém me prove.

Mas, como dois Ă© dom, trĂŞs Ă© defeito,
tambĂ©m um “Alma minha”, o dezenove,
ocupa igual lugar no meu conceito.