Sonetos sobre Areia de Pablo Neruda

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Sonetos de areia de Pablo Neruda. Leia este e outros sonetos de Pablo Neruda em Poetris.

Antes de Amar-te Eu nada Tinha

Antes de amar-te, amor, eu nada tinha:
vacilei pelas ruas e pelas coisas:
nada contava nem tinha nome:
o mundo era do ar que aguardava.

Conheci salÔes cinzentos,
tĂșneis habitados pela lua,
hangares cruéis que se despediam,
perguntas que teimavam sobre a areia.

Tudo estava vazio, morto e mudo,
caĂ­do, abandonado e abatido,
tudo era inalienavelmente alheio,

tudo era dos outros e de ninguém,
até que a tua beleza e a tua pobreza
encheram o outono de presentes.

NĂŁo Estejas Longe de Mim um Dia que Seja

NĂŁo estejas longe de mim um dia que seja, porque,
porque, nĂŁo sei dizĂȘ-lo, Ă© longo o dia,
e estarei à tua espera como nas estaçÔes
quando em algum sitio os comboios adormeceram.

NĂŁo te afastes uma hora porque entĂŁo
nessa hora se juntam as gotas da insĂłnia
e talvez o fumo que anda Ă  procura de casa
venha matar ainda meu coração perdido.

Ai que nĂŁo se quebre a tua silhueta na areia,
ai que na ausĂȘncia as tuas pĂĄlpebras nĂŁo voem:
nĂŁo te vĂĄs por um minuto, Ăł bem-amada,

porque nesse minuto terĂĄs ido tĂŁo longe
que atravessarei a terra inteira perguntando
se voltarĂĄs ou me deixarĂĄs morrer.