Sonetos sobre Conceito de Glauco Mattoso

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Sonetos de conceito de Glauco Mattoso. Leia este e outros sonetos de Glauco Mattoso em Poetris.

Soneto 272 A Fernanda Montenegro

MillĂ´r falava dela com respeito.
Passei a respeitá-la de antemão.
Millôr falou, é lei, preste atenção.
Fernanda se supera no perfeito.

Foi, desde “A falecida”, em meu conceito
subindo, polimĂłrfica ascensĂŁo.
Até na maquinal televisão
solene e natural, seu prĂłprio jeito.

Fui vê-la no teatro. É verdadeira.
Inspira carinhosa intimidade.
Parece a mĂŁe, a tia, uma enfermeira,

aquela professora… Que saudade!
A grande dama Ă© nossa, brasileira.
Que bom! Que “Bravo!” seu Brasil lhe brade!

Soneto 251 Quantitativo

Centenas de sonetos sĂŁo legado
de nomes tidos como monumentos.
Apenas de Camões, mais de duzentos,
registro que Ă© por poucos superado.

NĂŁo fossem os LusĂ­adas o dado
que faz dele o primeiro entre os portentos,
ainda assim Camões marca outros tentos,
e, entre outros tantos, este Ă© consagrado:

“Sete anos de pastor”, o vinte e nove,
que, se nĂŁo for mais belo, Ă© o mais perfeito,
a menos que em contrário alguém me prove.

Mas, como dois Ă© dom, trĂŞs Ă© defeito,
também um “Alma minha”, o dezenove,
ocupa igual lugar no meu conceito.

Soneto 399 PĂłs-Moderno

Cinema Novo, Bossa Nova, tudo
Ă© novo nesta terra! A velharia
nos vem sĂł do estrangeiro. O que seria
do Chaplin sem o velho cine mudo?

Temos tempos modernos! Também mudo
meu modo de pensar a poesia.
Concreto e verso livre contagia,
mas algo mais Ă  frente aguarda estudo:

É o raio do soneto, que ora volta
liberto das amarras do conceito
e sem as igrejinhas como escolta.

Depois do modernismo, vem refeito.
Até o vocabulário já se solta:
ao puro é duro, e ao sujo está sujeito.