Sonetos sobre Crian莽as de Ant贸nio Nobre

3 resultados
Sonetos de crian莽as de Ant贸nio Nobre. Leia este e outros sonetos de Ant贸nio Nobre em Poetris.

Sta Iria

N’um rio virginal d’agoas claras e mansas,
Pequenino baixel, a santa vae boiando…
Pouco e pouco, dilue-se o oiro das suas tran莽as
E, diluido, ve-se as agoas aloirando.

Circumda-a um resplendor, a luzir esperan莽as,
Unge-lhe a fronte o luar, avelludado e brando,
E, com a gra莽a etherea e meiga das crian莽as,
Formosa Iria vae boiando, vae boiando…

脕 lua, cantam as alde茫s de Riba-Joia,
E, ao verem-na passar, phantastica barquinha,
Exclamam todas: 芦Olha um marmore que aboia!禄

Ella entra, emfim, no Oceano… E escuta-se, ao luar,
A m茫e do pescador, rezando a ladainha
Pelos que andam, Senhor! sobre as agoas do mar…
Ant贸nio Nobre, in ‘S贸’

Ai de Mim!

Venho, torna-me velho esta lembran莽a!
D’um enterro d’anjinho, nobre e puro:
Infancia, era este o nome da crian莽a
Que, hoje, dorme entre os bichos, l谩 no escuro…

Trez anjos, a Chymera, o Amor, a Esperan莽a
Acompanharam-n’o ao jazigo obscuro,
E recebeu, segundo a velha usan莽a,
A chave do caix茫o o meu Futuro.

Hoje, ambulante e abandonada Ermida,
Leva-me o fado, 谩 bruta, aos empurr玫es,
V谩 para a frente! Marcha! 脕 Vida! 脕 Vida!

Que hei-de fazer, Senhor! o qu’茅 que espera
Um bacharel formado em illuz玫es
Pela Universidade da Chymera?

脌 Luz da Lua!

Iamos s贸s pela floresta amiga,
Onde em perfumes o luar se evola,
Olhando os c茅us, modesta rapariga!
Como as crian莽as ao sair da escola.

Em teus olhos dormentes de fadiga,
Meio cerrados como o olhar da rola,
Eu ia lendo essa ballada antiga
D’uns noivos mortos ao cingir da estola…

A Lua-a-Branca, que 茅 tua avozinha,
Cobria com os seus os teus cabellos
E dava-te um aspeto de velhinha!

Que linda eras, o luar que o diga!
E eu compondo estes versos, tu a lel-os,
E ambos scismando na floresta amiga…