Sonetos sobre Frieza

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Sonetos de frieza escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.

TĂ©dio

Passo pálida e triste. Oiço dizer:
“Que branca que ela Ă©! Parece morta!”
E eu que vou sonhando, vaga, absorta,
NĂŁo tenho um gesto, ou um olhar sequer…

Que diga o mundo e a gente o que quiser!
— O que Ă© que isso me faz? O que me importa?…
O frio que trago dentro gela e corta
Tudo que é sonho e graça na mulher!

O que Ă© que me importa?! Essa tristeza
É menos dor intensa que frieza,
É um tédio profundo de viver!

E Ă© tudo sempre o mesmo, eternamente…
O mesmo lago plácido, dormente…
E os dias, sempre os mesmos, a correr…

Mea Culpa

NĂŁo duvido que o mundo no seu eixo
Gire suspenso e volva em harmonia;
Que o homem suba e vá da noite ao dia,
E o homem vá subindo insecto o seixo.

NĂŁo chamo a Deus tirano, nem me queixo,
Nem chamo ao céu da vida noite fria;
NĂŁo chamo Ă  existencia hora sombria;
Acaso, Ă  ordem; nem Ă  lei desleixo.

A Natureza Ă© minha mĂŁe ainda…
É minha mĂŁe… Ah, se eu Ă  face linda
NĂŁo sei sorrir: se estou desesperado;

Se nada há que me aqueça esta frieza;
Se estou cheio de fel e de tristeza…
É de crer que só eu seja o culpado!

Amor Verdadeiro

Tua frieza aumenta o meu desejo:
fecho os meus olhos para te esquecer,
mas quanto mais procuro nĂŁo te ver,
quanto mais fecho os olhos mais te vejo.

Humildemente atrás de ti rastejo,
humildemente, sem te convencer,
enquanto sinto para mim crescer
dos teus desdéns o frígido cortejo.

Sei que jamais hei de possuir-te, sei
que outro feliz, ditoso como um rei
enlaçará teu virgem corpo em flor.

Meu coração no entanto não se cansa:
amam metade os que amam com espr’ança,
amar sem espr’ança Ă© o verdadeiro amor.