A Rua Dos Cataventos – II
Dorme, ruazinha… E tudo escuro…
E os meus passos, quem Ă© que pode ouvi-los?
Dorme o teu sono sossegado e puro,
Com teus lampiões, com teus jardins tranqĂĽilosDorme… NĂŁo há ladrões, eu te asseguro…
Nem guardas para acaso persegui-los…
Na noite alta, como sobre um muro,
As estrelinhas cantam como grilos…O vento está dormindo na calçada,
O vento enovelou-se como um cĂŁo…
Dorme, ruazinha… NĂŁo há nada…SĂł os meus passos… Mas tĂŁo leves sĂŁo
Que até parecem, pela madrugada,
Os da minha futura assombração…
Sonetos sobre Grilos
2 resultados Sonetos de grilos escritos por poetas consagrados, filósofos e outros autores famosos. Conheça estes e outros temas em Poetris.
Ciganos em Viagem
A tribo que prevĂŞ a sina dos viventes
Levantou arraiais hoje de madrugada;
Nos carros, as mulher’, c’o a torva filharada
Às costas ou sugando os mamilos pendentes;Ao lado dos carrões, na pedregosa estrada,
Vão os homens a pé, com armas reluzentes,
Erguendo para o céu uns olhos indolentes
Onde já fulgurou muita ilusão amada.Na buraca onde está encurralado, o grilo,
Quando os sente passar, redobra o meigo trilo;
Cibela, com amor, traja um verde mais puro,Faz da rocha um caudal, e um vergel do deserto,
Para assim receber esses p’ra quem ‘stá aberto
O império familiar das trevas do futuro!Tradução de Delfim Guimarães