CĂĄrcere Das Almas
Ah! Toda a alma num cĂĄrcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhÔes as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço da Pureza.à almas presas, mudas e fechadas
Nas prisÔes colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funĂ©reo!Nesses silĂȘncios solitĂĄrios, graves,
que chaveiro do CĂ©u possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!
Sonetos sobre Iguais de Cruz e Souza
5 resultadosAnda-Me A Alma
Anda-me a alma inteira de tal sorte,
Meus gozos, meu pesar, nos dela unidos
Que os dela são também os meus sentidos,
Que o meu Ă© tambĂ©m dela o mesmo norte.Unidos corpo a corpo — um elo forte
Nos prende eternamente — e nos ouvidos
Sentimos sons iguais. Vemos floridos
Os sons do porvir, em azul coorte…O mesmo diapasĂŁo musicaliza
Os seres de nos dois — um sol irisa
Os nossos coraçÔes — dĂĄ luz, constela…Anda esta vida, espiritualizada
Por este amor — anda-me assim — ligada
A minha sombra com a sombra dela.
Lubricidade
Quisera ser a serpe venenosa
Que dĂĄ-te medo e dĂĄ-te pesadelos
Para envolverem, Ăł Flor maravilhosa,
Nos flavos turbilhÔes dos teus cabelos.Quisera ser a serpe veludosa
Para, enroscada em mĂșltiplos novelos,
Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa
E babujĂĄ-los e depois mordĂȘ-los…Talvez que o sangue impuro e flamejante
Do teu lĂąnguido corpo de bacante,
Da langue ondulação de ĂĄguas do RenoEstranhamente se purificasse…
Pois que um veneno de ĂĄspide vorace
Deve ser morto com igual veneno…
PlenilĂșnio
VĂȘs este cĂ©u tĂŁo lĂmpido e constelado
E este luar que em fĂșlgida cascata,
Cai, rola, cai, nuns borbotĂ”es de prata…
VĂȘs este cĂ©u de mĂĄrmore azulado…VĂȘs este campo intĂ©rmino, encharcado
Da luz que a lua aos pĂĄramos desata…
VĂȘs este vĂ©u que branco se dilata
Pelo verdor do campo iluminado…VĂȘs estes rios, tĂŁo fosforescentes,
Cheios duns tons, duns prismas reluzentes,
VĂȘs estes rios cheios de ardentias…VĂȘs esta mole e transparente gaze…
Pois Ă©, como isso me parecem quase
Iguais, assim, Ă s nossas alegrias!
Grande Amor
Grande amor, grande amor, grande mistério
Que as nossas almas trĂȘmulas enlaça…
Céu que nos beija, céu que nos abraça
Num abismo de luz profundo e sério.Eterno espasmo de um desejo etéreo
E bålsamo dos bålsamos da graça,
Chama secreta que nas almas passa
E deixa nelas um clarão sidéreo.Cùntico de anjos e de arcanjos vagos
Junto Ă s ĂĄguas sonĂąmbulas de lagos,
Sob as claras estrelas desprendido…Selo perpĂ©tuo, puro e peregrino
Que prende as almas num igual destino,
Num beijo fecundado num gemido.