Soneto
Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
PorquĂȘ esperar, porquĂȘ, se nĂŁo se alcança
Mais do que a angĂșstia que nos Ă© devida?Antes aproveitar a nossa herança
De intençÔes e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mĂŁo que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventĂĄmos e nos fita.
Sonetos Interrogativos de Ary dos Santos
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Soneto de Mal Amar
Invento-te   recordo-te   distorço
a tua imagem mal e bem amada
sou apenas a forja em que me forço
a fazer das palavras tudo ou nada.A palavra desejo incendiada
lambendo a trave mestra do teu corpo
a palavra ciĂșme atormentada
a provar-me que ainda nĂŁo estou morto.E as coisas que eu nĂŁo disse? Que nĂŁo digo:
Meu terraço de ausĂȘncia   meu castigo
meu pùntano de rosas afogadas.Por ti me reconheço e contradigo
chĂŁo das palavras mĂĄgoa joio e trigo
apenas por ternura levedadas.