Sonetos sobre Luz de Afonso Duarte

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Sonetos de luz de Afonso Duarte. Leia este e outros sonetos de Afonso Duarte em Poetris.

Hora MĂ­stica

Noite caindo … CĂ©u de fogo e flores.
Voz de CrepĂșsculo exalando cores,
O céu vai cheio de Deus e de harmonia.
SilĂȘncio … Eis-me rezando aos fins do dia.

NĂ©voa de luz criando imagens na ĂĄgua,
Nome das åguas esculpindo os céus,
Tarde aos relevos hĂșmidos de frĂĄgua,
Boca da noite, eis-me rezando a Deus.

Eis-me entoando, a voz de cinza e ouro,
— Oh, cores na água vindo às mãos em branco! —
Minha Ăłpera de Sol ao Ășltimo arranco.

E, oh! hora mĂ­stica em que o olhar abraso,
— Sol expirando aos Pórticos do Ocaso! —
Dobra em meu peito um oceano em coro.

Riso

Tive o jeito de rir, quando menino,
Até beber as lågrimas choradas:
Com carantonhas, gestos, desatino,
Passou a nuvem e os pequenos nadas.

A rir de escuridÔes, de encruzilhadas,
Tornei-me afeito logo em pequenino;
Porque ri Ă© que trago as mĂŁos geladas,
E choro porque ri do meu destino.

Vivi de mais num mundo idealizado
Comigo sĂł: E sĂł de mim descreio
Entornava-me riso a luz em cheio

Quando o meu mundo foi principiado;
Rio agora que nĂŁo sei donde me veio
Sempre o mal que me trouxe o bem sonhado.

Natal

Turvou-se de penumbra o dia cedo;
Nem o sol apertou no meu beiral!
Que longas horas de Jesus! Natal…
E o cepo a arder nas cinzas do brasedo…

E o lar da casa, os coraçÔes aos dobres,
É um painel a fogo em seu costume!
Que lindos versos bĂ­blicos, ao lume,
Plo doce PrĂ­ncipe cristĂŁo dos pobres!

Fulvas figuras pra esculpir em barro:
À luz da lenha, em rubro tom bizarro,
Sou em Presépio com meus pais e irmãos

E junto Ă s brasas, os meus olhos postos
Nesta evangélica expressão de rostos,
Ergo em graças a Deus as minhas mãos.