Campesinas VII
Engrinaldada de rosas,
Surge a manhĂŁ pitorescaâŠ
Que linda aquarela fresca
Nas veigas deliciosas!Que bom gosto e perfumosas
Frutas traz, madrigalesca
A rapariga tudesca
Que vem das searas cheirosas!Como os rios vĂŁo cantando,
Em sons de prata, ondulando,
Abaixo pelos marnĂ©is!Que carĂcia nas verduras,
Que vigor pelas culturas,
Que de ouro pelos vergéis!
Sonetos sobre ManhĂŁ de Cruz e Souza
7 resultadosFrutas De Maio
Maio chegou â alegre e transparente
Cheio de brilho e mĂșsica nos ares,
De cristalinos risos salutares,
Frio, porém, ó gota alvinitente.Corre um fluido suave e odorescente
Das laranjeiras, como dos altares
O incenso â e, como a gaze azul dos mares,
Leve â hĂĄ por tudo um beijo, docemente.Isto bem cedo, de manhĂŁ â adiante
Pela tarde um sol calmo, agonizante,
PÔe no horizonte resplendentes franjas.Hå carinhos, da luz em cada raio,
Filha â e eu que adoro este frescor de maio
Muito, mas muito â trago-te laranjas.
PĂĄssaro Marinho
ManhĂŁ de maio, rosas pelo prado,
Gorjeios, pelas matas verdurosas
E a luz cantando o idĂlio de um noivado
Por entre as matas e por entre as rosas.Uma toilette matinal que o alado
Corpo te enflora em graças vaporosas,
Mergulhas, como um pĂĄssaro rosado,
Nas cristalinas ĂĄguas murmurosas.DĂĄs o bom dia ao Mar nesse mergulho
E das ĂĄguas salgadas ao marulho
Sais, no esplendor dos lĂmpidos espaços.Trazes na carne um reflorir de vinhas,
Auroras, virgens mĂșsicas marinhas,
Acres aromas de algas e sargaços!
No Campo
Acordo de manhĂŁ cedo
Da luz aos doces carinhos:
Que rosas pelos caminhos!
Que rumor pelo ĂĄrvoredo!Para o azul radioso e ledo
Sobe, de dentro dos ninhos,
O canto dos passarinhos
Cheio de amor e segredo.Dentre moitas de verdura
Voam as pombas nevadas,
Imaculadas de alvura.Pelas margens das estradas
Que penetrante frescura
Que femininas risadas!
Campesinas IX
Morreste no campo um dia,
Como uma flor desprezada.
Clareava a madrugada
Azul, vaporosa e fria.Sobre a agreste serrania,
Numa ermida branqueada
Por uma manhĂŁ doirada
Um sino repercutia.Teu caixĂŁo, de camponesas
E camponeses seguido,
Desceu abaixo Ă s devesas.Ganhou o atalho comprido
De casas em correntezas
E entrou num campo florido.
Campesinas V
De manhĂŁ tu vais ao gado
A cantar entre as giestas,
Com tuas graças modestas,
Correndo e saltando o prado.E a veiga e o rio e o valado
Que todos dormem as sestas
Acordam-se ante as honestas
CançÔes desse peito amado.As aves nos ares gozam,
Entre abraços se desposam,
No mais amoroso enlace.E as abelhas matutinas
Que regressam das boninas
Voam, te em torno da face.
Colar De PĂ©rolas
A Fâlicidade Ă© um colar de pĂ©rolas,
PĂ©rolas caras, de valor pujante,
Belas estrofes de Petrarca e Dante
Mais cintilantes que as manhãs mais cérulas.Para que enfim esse colar bendito,
Perdure sempre, inteiramente egrégio,
Como uma tela do pintor Correggio,
Sem resvalar no lodaçal maldito:Faz-se preciso umas paixÔes bem retas,
Cheias de uns tons de muito sol â completasâŠ
Faz-se preciso que do amor na febre,Nos grandes lances de vigor preclaro,
Desse colar esplendoroso e raro,
Nem uma pĂ©rola, uma sĂł se quebre!âŠ