Onde o Homem nĂŁo Chega
Onde o Homem nĂŁo chega tudo Ă© puro,
dessa pureza da primeira infĂąncia.
Tudo Ă© medida, ritmo, concordĂąncia,
tudo Ă© claro e auroral: a noite, o escuro.E nem o vendaval Ă© dissonĂąncia
mas promessa de sol e de futuro.
Quem levantou esse primeiro Muro
que do perto fez longe, ergueu distĂąncia?Foi o Homem, com suas mĂŁos de barro,
com suas mĂŁos perjuras, fel e sarro
de inĂștil sofrimento e vil prazer.NĂŁo Ă© tarde, porĂ©m: sacode a lama,
ergue o facho, levanta a Deus a chama
e recomeça: acabas de nascer.
Sonetos sobre MĂŁos de Fernanda de Castro
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Um PĂĄssaro a Morrer
NĂŁo Ă© vida nem morte, Ă© uma passagem,
nem antes nem depois: somente agora,
um minuto nos tantos duma hora.
Uma pausa. Um intervalo. Uma viragem.Prisioneira de mim, onde a coragem
de quebrar as algemas, ir-me embora,
se tudo o que em mim ria agora chora,
se jå não me seduz outra viagem?E nada disto é céu nem é inferno.
Tristeza, sĂł tristeza. Sol de Inverno,
sem uma flor a abrir na minha mĂŁo,sem um bĂșzio a cantar ao meu ouvido.
SĂł tristeza, um silĂȘncio desmedido
e um påssaro a morrer: meu coração.