Jura
Pelas rugas da fronte que medita…
Pelo olhar que interroga â e nĂŁo vĂȘ nada…
Pela miséria e pela mão gelada
Que apaga a estrela que nossa alma fita…Pelo estertor da chama que crepita
No ultimo arranco d’uma luz minguada…
Pelo grito feroz da abandonada
Que um momento de amante fez maldita…Por quanto hĂĄ de fatal, que quanto hĂĄ misto
De sombra e de pavor sob uma lousa…
Oh pomba meiga, pomba de esperança!Eu t’o juro, menina, tenho visto
Cousas terriveis â mas jamais vi cousa
Mais feroz do que um riso de criança!
Sonetos sobre Meninos de Antero de Quental
2 resultados Sonetos de meninos de Antero de Quental. Leia este e outros sonetos de Antero de Quental em Poetris.
Pequenina
Eu bem sei que te chamam pequenina
E ténue como o véu solto na dança,
Que Ă©s no juĂzo apenas a criança,
Pouco mais, nos vestidos, que a menina…Que Ă©s o regato de ĂĄgua mansa e fina,
A folhinha do til que se balança,
O peito que em correndo logo cansa,
A fronte que ao sofrer logo se inclina…Mas, filha, lĂĄ nos montes onde andei,
Tanto me enchi de angĂșstia e de receio
Ouvindo do infinito os fundos ecos,Que nĂŁo quero imperar nem jĂĄ ser rei
SenĂŁo tendo meus reinos em teu seio
E sĂșbditos, criança, em teus bonecos!