Nua E Crua
Doire a Poesia a escura realidade
E a mim a encubra! Um visionário ardente
Quis vĂŞ-la nua um dia; e, ousadamente,
Do áureo manto despoja a divindade;O estema da perpétua mocidade
Tira-lhe e as galas; e ei-la, de repente,
Inteiramente nua e inteiramente
Crua, como a Verdade! E era a Verdade!Fita-a em seguida, e atĂ´nito recua…
– Ă“ Musa! exclama entĂŁo, magoado e triste,
Traja de novo a louçainha tua!Veste outra vez as roupas que despiste!
Que olhar se apraz em ver-te assim tĂŁo nua?…
Ă€ nudez da Verdade quem resiste?!
Sonetos sobre Mocidade de Raimundo Correia
2 resultados Sonetos de mocidade de Raimundo Correia. Leia este e outros sonetos de Raimundo Correia em Poetris.
O Vinho De Hebe
Quando do Olimpo nos festins surgia
Hebe risonha, os deuses majestosos
Os copos estendiam-lhe, ruidosos,
E ela, passando, os copos lhes enchia…A Mocidade, assim, na rubra orgia
Da vida, alegre e prĂłdiga de gozos,
Passa por nós, e nós também, sequiosos,
Nossa taça estendemos-lhe, vazia…E o vinho do prazer em nossa taça
Verte-nos ela, verte-nos e passa…
Passa, e não torna atrás o seu caminho.Nós chamamo-la em vão; em nossos lábios
Restam apenas tĂmidos ressábios,
Como recordações daquele vinho.