Adamastor Cruel! De Teus Furores
Adamastor cruel! De teus furores
Quantas vezes me lembro horrorizado!
Ă monstro! Quantas vezes tens tragado
Do soberbo Oriente os domadores!Parece-me que entregue a vis traidores
Estou vendo SepĂșlveda afamado,
Co’a esposa e co’os filhinhos abraçado,
Qual Mavorte com VĂ©nus e os Amores.Parece-me que vejo o triste esposo,
Perdida a tenra prole e a bela dama,
Ăs garras dos leĂ”es correr furioso.Bem te vingaste em nĂłs do afoito Gama!
Pelos nossos desastres Ă©s famoso.
Maldito Adamastor! Maldita fama!
Sonetos sobre Monstros de Manuel Maria Barbosa du Bocage
6 resultadosRaios não Peço ao Criador do Mundo
LX
Raios não peço ao Criador do Mundo,
Tormentas nĂŁo suplico ao Rei dos Mares,
VulcÔes à terra, furacÔes aos ares,
Negros monstros ao bĂĄratro profundo:NĂŁo rogo ao deus de amor que furibundo
Te arremesse do pé de seus altares;
Ou que a peste mortal voe a teus lares,
E murche o teu semblante rubicundo.Não imploro em teu dano, ainda que os laços
Urdidos pela fé, com vil mudança
Fizeste, ingrata Nise, em mil pedaços:Não quero outro despique, outra vingança,
Mais que ver-te em poder de indignos braços,
E dizer quem te perde, e quem te alcança.
Sanhudo, InexorĂĄvel Despotismo
Sanhudo, inexorĂĄvel Despotismo
Monstro que em pranto, em sangue a fĂșria cevas,
Que em mil quadros horrĂficos te enlevas,
Obra da Iniquidade e do AteĂsmo:Assanhas o danado Fanatismo,
Porque te escore o trono onde te enlevas;
Por que o sol da Verdade envolva em trevas
E sepulte a RazĂŁo num denso abismo.Da sagrada Virtude o colo pisas,
E aos satĂ©lites vis da prepotĂȘncia
De crimes infernais o plano gizas,Mas, apesar da bĂĄrbara insolĂȘncia,
Reinas sĂł no ext’rior, nĂŁo tiranizas
Do livre coração a independĂȘncia.
Negra Fera, Que A Tudo As Garras Lanças
Negra fera, que a tudo as garras lanças,
JĂĄ murchaste, insensĂvel a clamores,
Nas faces de TirsĂĄlia as rubras flores,
Em meu peito as viçosas esperanças.Monstro, que nunca em teus estragos cansas,
VĂȘ as trĂȘs Graças, vĂȘ os nus Amores
Como praguejam teus cruéis furores,
Ferindo os rostos, arrancando as tranças!DomicĂlio da noute, horror sagrado,
Onde jaz destruĂda a formosura,
Abre-te, dĂĄ lugar a um desgraçado.Eis desço, eis cinzas palpo… Ah, Morte dura!
Ah, TirsĂĄlia! Ah, meu bem, rosto adorado!
Torna, torna a fechar-te, Ăł sepultura!
VisĂŁo Realizada
Sonhei que a mim correndo o gnĂdeo nume
Vinha coa Morte, co CiĂșme ao lado,
E me bradava: “Escolhe, desgraçado,
Queres a Morte, ou queres o CiĂșme?”“NĂŁo Ă© pior daquela fouce o gume
Que a ponta dos farpÔes que tens provado;
Mas o monstro voraz, por mim criado,
Quanto horror hĂĄ no Inferno em si resume.”Disse; e eu dando um suspiro: “Ah, nĂŁo m’espantes
Coa a vista dessa fĂșria!… Amor, clemĂȘncia!
Antes mil mortes, mil infernos antes!”Nisto acordei com dor, com impaciĂȘncia;
E nĂŁo vos encontrando, olhos brilhantes,
Vi que era a minha morte a vossa ausĂȘncia!
Esse Cabra Ou CabrĂŁo, Que Anda Na Berra
Esse cabra ou cabrĂŁo, que anda na berra,
Que mamou no Brasil surra e mais surra,
O vil estafador da vil bandurra,
O perro, que nas cordas nunca emperra:O monstro vil que produziste, Ăł Terra
Onde narizes Natureza esmurra,
Que os seus nadas harmĂŽnicos empurra,
Com parda voz, das paciĂȘncias guerra;O que sai no focinho Ă mĂŁe cachorra,
O que nĂ©scias aplaudem mais que a “Mirra”,
O que nem veio de prosĂĄpia forra;O que afina inda mais quando se espirra,
Merece Ă filosĂłfica pachorra
Um corno, um passa-fora, um arre, um irra.