Soneto Da Mulher InĂștil
De tanta graça e de leveza tanta
Que quando sobre mim, como a teu jeito
Eu tĂŁo de leve sinto-te no peito
Que o meu prĂłprio suspiro te levanta.To contra quem me esbato liquefeito
Rocha branca! brancura que me espanta
Brancos seios azuis, nĂvea garganta
Branco pĂĄssaro fiel com que me deito.Mulher inĂștil, quando nas noturnas
CelebraçÔes, nĂĄufrago em teus delĂrios
Tenho-te toda, branca, envolta em brumasSĂŁo teus seios tĂŁo tristes como urnas
SĂŁo teus braços tĂŁo finos como lĂrios
Ă teu corpo tĂŁo leve como plumas.
Sonetos sobre Seios
109 resultados1A Sombra – Marieta
Como o gĂȘnio da noite, que desata
O véu de , rendas sobre a espådua nua,
Ela solta os cabelos… Bate a lua
Nas alvas dobras de um lençol de prataO seio virginal que a mão recata,
Embalde o prende a mĂŁo… cresce, flu
Sonha a moça ao relento… AlĂ©m na
Preludia um violĂŁo na serenata!…… Furtivos passos morrem no lajedo…
Resvala a escada do balcĂŁo discreta…
Matam lĂĄbios os beijos em segredo…Afoga-me os suspiros, Marieta!
Oh surpresa! oh palor! oh pranto! oh medo!
Ai! noites de Romeu e Julieta…
A Mata Virgem, Desgrenhada Aos Ventos
A mata virgem, desgrenhada aos ventos,
Eleva Ă noite a alma complexa e vĂĄria;
Do musgo humilde Ă s grimpas da araucĂĄria
HĂĄ, talvez, gritos, hĂĄ talvez, lamentos.Olhos presos na sombra, a passos lentos
Passeando na varanda solitĂĄria,
Apraz-me Ă quela orquestra tumultuĂĄria
A sĂłs ouvir os rudes sons violentos.Ă noite, como que raivando, levas
Com o teu meu coração por essas trevas!
O teu – cĂłlera, o meu – doce reclamo;Ambos, ao fogo atroz que tĂȘm no seio,
O teu bramindo: – O Ăłdio eu sou, e odeio!
O meu chorando: – Eu sou o Amor, eu amo!
Regenerada
De mĂŁos postas, Ă luz de frouxos cĂrios
Rezas para as Estrelas do Infinito,
Para os Azuis dos siderais EmpĂreos
Das OraçÔes o doloroso rito.Todos os mais recĂŽnditos martĂrios,
As angĂșstias mortais, teu lĂĄbio aflito
Soluça, em preces de luar e lĂrios,
Num trĂȘmulo de frases inaudito.Olhos, braços e lĂĄbios, mĂŁos e seios,
Presos, d’estranhos, mĂsticos enleios,
JĂĄ nas MĂĄgoas estĂŁo divinizados.Mas no teu vulto ideal e penitente
Parece haver todo o calor veemente
Da febre antiga de gentis Pecados.
O Anel de Corina
Enquanto espera a hora combinada
De o remeter com flores a Corina,
OvĂdio oscĂșla o anel que lhe destina
E em que uma gema fulge bem gravada.â « Como eu te invejo, Ăł prenda afortunada !
« Com ela vais dormir, mimosa e fina,
« Com ela has-de banhar-te na piscina
« Donde sairå, qual Venus, orvalhada,« O dorso e o seio lhe verås de rosas,
« E selarås as cartas deliciosas
« Com que em minh’alma alento e esp’rança verte…« E temendo (suprema f’licidade!)
« Que a cera adira å pedra, ai! então ha-de
« Com a ponta da lĂngua humedecer-te! »
Metempsicose
Agora, jĂĄ que apodreceu a argila
Do teu corpo divino e sacrossanto;
Que embalsamaram de magoado pranto
A tua carne, na mudez tranqĂŒila,Agora, que nos CĂ©us, talvez, se asila
Aquela graça e luminoso encanto
De virginal e pĂĄlido amaranto
Entre a Harmonia que nos CĂ©us desfila.Que da morte o estupor macabro e feio
Congelou as magnĂłlias do teu seio,
Por entre catalĂ©pticas visĂ”es…Surge, Bela das Belas, na Beleza
Do transcendentalismo da Pureza,
Nas brancas, imortais RessurreiçÔes!
A Minha AvĂł
Minh’alma vai cantar, alma sagrada!
Raio de sol dos meus primeiros dias…
Gota de luz nas regiÔes sombrias
De minha vida triste e amargurada.Minh’alma vai cantar, velhinha amada!
Rio onde correm minhas alegrias…
Anjo bendito que me refugias
Nas tuas asas contra a sina irada!Minh’alma vai cantar… Transforma o seio
N’um cofre santo de carĂcias cheio,
Para este livro todo o meu tesouro… –Eu quero vĂȘ-lo, em desejada calma,
No rico santuĂĄrio de tu’alma…
– HĂłstia guardada n’um cibĂłrio de ouro! –
Na Tebaida
Chegas, com os olhos Ășmidos, tremente
A voz, os seios nus, como a rainha
Que ao ermo frio da Tebaida vinha
Trazer a tentação do amor ardente.Luto: porém teu corpo se avizinha
Do meu, e o enlaça como uma serpente..
Fujo: porém a boca prendes, quente,
Cheia de beijos, palpitante, Ă minha…Beija mais, que o teu beijo me incendeia!
Aperta os braços mais! que eu tenha a morte,
Preso nos laços de prisão tão doce!Aperta os braços mais, frågil cadeia
Que tanta força tem não sendo forte,
E prende mais que se de ferro fosse!
TĂŁo Conformes na Ventura
Quantas vezes do fuso se esquecia
Daliana, banhando o lindo seio,
Outras tantas de um ĂĄspero receio
Salteado LaurĂ©nio a cor perdia.Ela, que a SĂlvio mais que a si queria,
Para podĂȘ-lo ver nĂŁo tinha meio.
Ora como curara o mal alheio
Quem o seu mal tĂŁo mal curar podia?Ele, que viu tĂŁo clara esta verdade,
Com soluços dizia (que a espessura
Inclinavam, de mĂĄgoa, a piedade):Como pode a desordem da natura
Fazer tĂŁo diferentes na vontade
Aos que fez tĂŁo conformes na ventura?
Saudade
Hoje que a mĂĄgoa me apunhala o seio,
E o coração me rasga atroz, imensa,
Eu a bendigo da descrença, em meio,
Porque eu hoje só vivo da descrença.à noute qaundo em funda soledade
Minh’alma se recolhe tristemente,
P’ra iluminar-me a alma descontente,
Se acende o cĂrio triste da Saudade.E assim afeito Ă s mĂĄgoas e ao tormento,
E Ă dor e ao sofrimento eterno afeito,
Para dar vida Ă dor e ao sofrimento,Da saudade na campa enegrecida
Guardo a lembrança que me sangra o peito,
Mas que no entanto me alimenta a vida.
MĂŁezinha
Andam em mim fantasmas, sombras, ais…
Coisas que eu sinto em mim, que eu sinto agora;
NĂ©voas de dantes, dum longĂnquo outrora;
Castelos d’oiro em mundos irreais…Gotas d’ĂĄgua tombando… Roseirais
A desfolhar-se em mim como quem chora…
â E um ano vale um dia ou uma hora,
Se tu me vais fugindo mais e mais!…Ă meu Amor, meu seio Ă© como um berço
Ondula brandamente… Brandamente…
Num ritmo escultural d’onda ou de verso!No mundo quem te vĂȘ?! Ele Ă© enorme!…
Amor, sou tua mĂŁe! VĂĄ… docemente
Poisa a cabeça… fecha os olhos… dorme…
Quatro Sonetos De Meditação – III
O efĂȘmero. Ora, um pĂĄssaro no vale
Cantou por um momento, outrora, mas
O vale escuta ainda envolto em paz
Para que a voz do pĂĄssaro nĂŁo cale.E uma fonte futura, hoje primĂĄria
No seio da montanha, irromperĂĄ
Fatal, da pedra ardente, e levarĂĄ
Ă voz a melodia necessĂĄria.O efĂȘmero. E mais tarde, quando antigas
Se fizerem as flores, e as cantigas
A uma nova emoção morrerem, cedoQuem conhecer o vale e o seu segredo
Nem sequer pensarĂĄ na fonte, a sĂłs…
Porém o vale hå de escutar a voz.
Gonçalves Dias
(AO PĂ DO MAR)
SE EU PUDESSE cantar a grande histĂłria,
Que envolve ardente o teu viver brilhante…
Filho dos trĂłpicos que – audaz gigante –
Desceste ao tĂșmulo subindo Ă GlĂłria!Teu tĂșmulo colossal – nest’hora eu fito –
Altivo, rugidor, sonoro, extenso –
O mar!… e ……. O sim, teu crĂąnio imenso
SĂł podia conter-se no infinito…E eu – sou louco talvez – mas quando, forte,
Em seu dorso resvala – ardente – norte,
E ele espumante estruge, brada, grita,E em cada vaga uma canção estoura…
Eu – creio ser tu’alma que, sonora,
Em seu seio sem fim – brava – palpita!
ReminiscĂȘncia
Um dia a vi, nas lamas da miséria,
Como entre pĂąntanos um branco lĂrio,
Velada a fronte em palidez funérea,
O frio vĂ©u das noivas do martĂrio!Pedia esmola â pequena e sĂ©ria â
Os seios, pastos de eternal delĂrio,
Cobertos eram de uma cor cinĂ©rea â
Seus olhos tinham o brilhar do cĂrio.Tempos depois nâum carro â audaz, brilhante,
Uma mulher eu vi â febril, galante…
Lancei-lhe o olhar e… maldição! tremi…Ria-se â cĂnica, servil… faceira?
O carro nâuma nuvem de poeira
Se arremessou… e eu nunca mais a vi!
Seios
IV
MagnĂłlias tropicais, frutos cheirosos
Das ĂĄrvores do Mal fascinadoras,
Das negras mancenilhas tentadoras,
Dos vagos narcotismos venenosos.OĂĄsis brancos e miraculosos
Das frementes volĂșpias pecadoras
Nas paragens fatais, aterradoras
Do TĂ©dio, nos desertos tenebrosos…Seios de aroma embriagador e langue,
Da aurora de ouro do esplendor do sangue,
A alma de sensaçÔes tantalizando.à seios virginais, tålamos vivos
Onde do amor nos ĂȘxtases lascivos
Velhos faunos febris dormem sonhando…
Pacto Das Almas (III) Alma Da Almas
Alma da almas, minha irmĂŁ gloriosa,
Divina irradiação do Sentimento,
Quando estarĂĄs no azul Deslumbramento,
Perto de mim, na grande Paz radiosa?!Tu que Ă©s a lua da MansĂŁo de rosa
Da Graça e do supremo Encantamento,
O cĂrio astral do augusto Pensamento
Velando eternamente a FĂ© chorosa,Alma das almas, meu consolo amigo,
Seio celeste, sacrossanto abrigo,
Serena e constelada imensidade,Entre os teus beijos de eteral carĂcia,
Sorrindo e soluçando de delĂcia,
Quando te abraçarei na Eternidade?!
Sentimento Esquisito
à céu estéril dos desesperados,
Forma impassĂvel de cristas sidĂ©reo,
Dos cemitérios velho cemitério
Onde dormem os astros delicados.PĂĄtria d’estrelas dos abandonados,
Casulo azul do anseio vago, aéreo,
Formidåvel muralha de mistério
Que deixa os coraçÔes desconsolados.CĂ©u imĂłvel milĂȘnios e milĂȘnios,
Tu que iluminas a visĂŁo dos GĂȘnios
E ergues das almas o sagrado acorde.Céu estéril, absurdo, céu imoto,
Faz dormir no teu seio o Sonho ignoto,
Esta serpente que alucina e morde…
A Beleza
De um sonho escultural tenho a beleza rara,
E o meu seio, â jardim onde cultivo a dor,
Faz despertar no Poeta um vivo e intenso amor,
Com a eterna mudez do marmor’ de CarraraSou esfinge subtil no Azul a dominar,
Da brancura do cisne e com a neve fria;
Detesto o movimento, e estremeço a harmonia;
Nunca soube o que Ă© rir, nem sei o que Ă© chorar.O Poeta, se me vĂȘ nas atitudes fĂĄtuas
Que pareço copiar das mais nobres eståtuas,
Consome noite e dia em estudos ingentes..Tenho, p’ra fascinar o meu dĂłcil amante,
Espelhos de cristal, que tornaram deslumbrante
A prĂłpria imperfeição: â os meus olhos ardentes!Tradução de Delfim GuimarĂŁes
PĂĄlida, Ă Luz Da LĂąmpada Sombria
PĂĄlida, Ă luz da lĂąmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!Era a virgem do mar! na escuma fria
Pela maré das åguas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!Era mais bela! o seio palpitando…
Negros olhos as pĂĄlpebras abrindo…
Formas nuas no leito resvalando…NĂŁo te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!
Tonta
Dizes que ficas tonta… quando em tua boca
ergo a taça da minha a transbordar de beijos,
e te dou a beber dessa champanha louca
que espuma nos meus lĂĄbios para os teus desejos.Dizes… E em teu olhar incendiado talvez,
como que tonto mesmo e ardendo de calor,
vejo se refletir minha prĂłpria embriaguez
e o mundo de loucura que hĂĄ no nosso amor…E receio por ti e por mim, e receio
que um dia ao te sentir tão junto, eu enlouqueça
e aperte no meu peito a maciez do teu seio…Dizes que ficas tonta… HĂĄs de entĂŁo ficar louca!
E eu tomando entre as mãos tua loura cabeça
hei de fazer sangrar de beijos tua boca! …