Soneto 252 Qualitativo
Repito que um Ă© dote, dois Ă© dom,
mas três já é defeito, tenha dó!
Camões fez “Alma minha” e o do JacĂł:
Terceiro Ă© mui difĂcil ser tĂŁo bom.A tanto inda acrescento, alto e bom som:
Falar de sentimento, por si sĂł,
nĂŁo faz de nenhum verso um pĂŁo-de-lĂł,
nem temas de bom tom sĂŁo sĂł bombom.Fazer soneto Ă s pencas, outrossim,
não dá patente máxima a ninguém,
nem livra alguĂ©m do nĂvel do ruim.Fiquemos no bom senso, que mantĂ©m
a média de dois bons, até pra mim,
que, perto de Camões, sou muito aquém.
Sonetos sobre Tom de Glauco Mattoso
3 resultadosSoneto 345 Caetânico
Arauto da verdade tropical,
cantou nomes de nomes, como Arrigo,
Jacinto Pinto Aquino Rego, digo,
Mattoso, Matos, Tons, Tins, Bens, e tal.PropĂ´s orientar o carnaval,
e a nave conseguiu singrar consigo.
Tratou de igual pra igual o joio e o trigo.
Juntou sopa com mel, mamĂŁo com sal.Aos probos proibiu de proibir.
Aos pobres deu licença de brilhar.
Bebeu da juventude um elixir.Tem mais caetanidade em caetanar
que aos outros antropĂ´nimos ser Sir.
Seu ZĂ© nĂŁo Ă© Caetano, uns nunca Ă© par.
Soneto 434 A NĂ©stor Perlongher
Na frente esteve e está, depois ou antes.
Poeta já portento de portenho,
em NĂ©stor o barroco ganha engenho
e os verbos reverberam mais brilhantes.Da Frente mĂtico entre os militantes,
aqui tem maior campo seu empenho.
Da causa negra um dado a depor tenho:
tratou mais que os tratados dos tratantes.Aos putos imputou novo valor.
Da lĂngua tinha humor sempre na ponta.
Das classes, luta e amor, Ă© professor.Mediu o que a estatĂstica nĂŁo conta.
Territorializou do corpo a cor.
Deu tom de santa a tanta tinta tonta!