Qualquer fim moral, quer dizer, de interesse por parte do artista, mata todas as obras de arte.
Passagens de Stendhal
121 resultadosNão é de forma alguma um pequeno número de fortunas colossais que faz a riqueza de um país, mas a multiplicidade de fortunas medíocres.
Se a mulher se irrita com o homem ciumento, muitas vezes isso sucede porque ela não se decide sobre se tal ciúme é homenagem ao seu amor ou ofensa à sua virtude.
O amor é como a febre. Nasce e se extingue sem que a vontade nisso tome parte.
Todas as religiões baseiam-se no medo de muitos e na esperteza de poucos.
Os homens só se compreendem uns aos outros na medida em que os animam as mesmas paixões.
A palavra foi dada ao homem para esconder o seu pensamento.
O Amor é a Mais Forte das Paixões
Por que é que gozamos com cada nova beleza que descobrimos no que amamos? Porque cada nova beleza nos dá a inteira e total satisfação de um desejo. Se a queremos sensível ela será sensível. Se em seguida a queremos orgulhosa como a Émilie de Corneille, embora estas duas qualidades sejam provavelmente incompatíveis, ela aparece imediatamente com uma alma romana. É esta a razão moral porque o amor é a mais forte das paixões. Nas outras, os desejos têm que se acomodar às tristes realidades; nesta, são as realidades que se apressam a identificar-se com os desejos; ela é, portanto, a paixão em que os desejos violentos têm uma maior realização.
O amor é o milagre da civilização.
A Cegueira do Amor
Desde que se ame, o mais sensato dos homens não vê nenhum objecto tal como é. Exagera para menos as suas próprias vantagens e para mais os menores favores do objecto amado. Os temores e as esperanças transformam-se imediatamente em algo de romanesco. Deixa de atribuir seja o que for ao acaso; perde o sentido das probabilidades; uma coisa imaginada é uma coisa existente que influi na sua felicidade.
Um signo aterrador de que se está a perder a cabeça é que, ao pensar em qualquer facto, por minúsculo e difícil de observar que seja, o vejamos branco e o interpretemos em favor do nosso amor; um instante depois, verificamos que na realidade era negro, e mesmo assim ainda o achamos favorável ao nosso amor.
É nessa altura que uma alma presa de mortais incertezas sente vivamente a necessidade de um amigo; mas para um amante já não há amigos, como muito bem se sabia nas cortes. Eis a fonte da única espécie de indiscrição que uma mulher é capaz de perdoar.
O Saudável Receio Como Base de Felicidade no Amor
Sempre uma pequena dúvida a acalmar, eis o que faz a sede de todos os instantes, eis o que constitui a vida do amor feliz. Como o receio nunca o abandona, os seus prazeres não podem nunca entediar. O carácter desta felicidade é a sua extrema seriedade.
O amor é uma flor delicada, mas é preciso ter a coragem de ir colhê-la à beira de um precipício.
A primeira ventura que o amor dá existe no primeiro aperto de mão da mulher que amamos.
Detesto o que é falso em tudo como um inimigo da ventura.
O amor é como a febre, nasce e extingue-se sem que a vontade tome minimamente parte nele.
Saber que um rival é amado já é bastante cruel, mas receber a confissão do amor que ele inspira feita pela própria mulher que se ama é sem dúvida o cúmulo do sofrimento.
É mesquinho passarmos a vida a dizer de que maneira os outros foram grandes.
Todas as religiões são fundadas no medo de muitos e na esperteza de uns poucos.
O medo nunca está no perigo, mas em nós.
O aborrecimento tira-nos tudo, até a coragem de nos matarmos.